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30/07/2009 - 12h00

Especialistas explicam as diferenças entre a gripe suína e a comum

Cristina Almeida
Especial para o UOL Ciência e Saúde
Embora a população esteja aflita, médicos e autoridades sanitárias continuam afirmando que a gripe suína, causada pelo vírus H1N1, não é mais perigosa que a gripe comum, mas apresenta algumas peculiaridades, como o fato de afetar mais jovens que idosos.

O Ministério da Saúde divulga que, só em 2008, mais de 70 mil mortes ocorreram no Brasil por complicações decorrentes da gripe comum. Nos EUA, são mais de 30 mil mortes por ano. Em cerca de três meses (dados até 27/07), a Organização Mundial da Saúde (OMS) havia registrado pouco mais de 800 mortes por gripe suína.

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"Não existem evidências de que esse vírus seja mais mais letal que o da gripe sazonal", lembra Celso Granato, Chefe do setor de virologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e assessor médico do Laboratório Fleury.

Por outro lado, Anne Schuchat, diretora do CDC (National Center for Immunization and Respiratory Diseases do Centers for Disease Control and Prevention), órgão americano encarregado do controle e prevenção de doenças infecciosas, explica que o vírus H1N1 é imprevisível, uma verdadeira caixa de surpresas, e que não é fácil prever "o que acontecerá nas semanas e meses que estão por vir".

A afirmação se fundamenta em algumas peculiaridades já identificadas no H1N1: ao contrário dos agentes causadores das gripes comuns, o vírus da gripe suína tem se disseminado de forma mais rápida, o que independe das condições climáticas (ar seco ou úmido).

Outro novo aspecto é que a gripe suína se manifesta mais entre os jovens - pessoas idosas, geralmente parte do grupo de risco, parecem ser imunes ao H1N1, provavelmente porque desenvolveram algum tipo de resistência ao entrar em contato com outros vírus influenza. Além disso, mulheres grávidas têm apresentado complicações graves após o contágio, assim como os obesos, que no momento aguardam avaliação para entrar oficialmente no grupo de risco para a doença.

Ataque aos pulmões

Um estudo publicado pelo jornal científico "Nature", na segunda quinzena de julho, revelou que o vírus H1N1 possui características da gripe espanhola, pandemia que dizimou mais de 20 milhões de pessoas em alguns meses, em 1918. A pesquisa, dirigida por Yoshihiro Kawaoka, virologista especializado em gripe e professor da Escola de Medicina Veterinária da University of Winsconsin-Madison (EUA), apresentou um retrato detalhado do vírus pandêmico H1N1 e suas qualidades patogênicas.

Conforme o especialista, ao contrário dos demais vírus das gripes comuns, cujas infecções se concentram tipicamente nas células situadas na parte superior do sistema respiratório, o H1N1 possui uma peculiar habilidade para infectar células que se encontram na parte mais profunda dos pulmões, podendo causar pneumonia e até morte.

Kawaoka explica que "existe um mal-entendido sobre o vírus, porque as pessoas pensam que essa patogenia (capacidade de causar doenças) seja similar às das gripes sazonais. Nosso estudo demonstrou que existe uma clara evidência de que o vírus é diferente".

O virologista acrescenta que a habilidade do vírus H1N1 infectar os pulmões é "assustadoramente semelhante a outros tipos de vírus pandêmicos, notadamente o de 1918". Outra peculiar descoberta de sua pesquisa foi o fato de que pessoas nascidas antes desse ano possuem anticorpos que as protegem do novo H1N1.

O prognóstico do especialista é que o vírus pode sofrer mutações, desenvolvendo novas características, principalmente porque no hemisfério norte o verão ainda não terminou e as estações da gripe estão por vir.

Os pesquisadores usaram amostras obtidas de pacientes americanos, europeus e japoneses. Quando o vírus das gripes sazonais foi testado em macacos e furões, eles não se reproduziam nos pulmões; no caso das amostras de H1N1, a reprodução se deu de modo significantemente melhor naqueles órgãos.

Esperança

A conclusão do virologista é que embora essas descobertas tenham trazido mais tensão ao cenário atual, seu estudo trouxe também a esperança de que drogas antivirais possam agir contra o vírus e a favor da redução da disseminação da doença: duas dessas drogas já estão sendo testadas pela equipe de Kawaoka, com resultados eficientes para os modelos animais, o que sugere sucesso também para os humanos.

"Os antivirais são a primeira linha de defesa contra a gripe suína enquanto a espera pela vacina ainda pode levar alguns meses", conclui o especialista.

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