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23/02/2007 - 12h42

Sonda Rosetta desaparecerá durante 15 minutos atrás de Marte

Frederic Garlan
da AFP

A sonda européia Rosetta, lançada há três anos, desaparecerá no próximo domingo dos radares de controle durante um quarto de hora, quando passará por trás de Marte. A gravidade do planeta será aproveitada para modificar a velocidade e a trajetória da sonda.

O momento será decisivo para o bom prosseguimento da missão, segundo declarou à AFP o responsável científico do projeto, Gerhard Schwehm, que acompanha a manobra do centro de controle da Agência Espacial Européia (ESA) em Darmstadt, na Alemanha.

A Rosetta, que funciona com a energia gerada por seus dois impressionantes painéis solares, dependerá durante quinze minutos de suas próprias baterias, projetadas para estabilizar o equipamento após o lançamento.

Durante 25 minutos, Marte ficará entre o Sol e a sonda, cortando completamente a luz solar normalmente captada pelos painéis.

Os responsáveis pela missão tentaram evitar esse incidente, programando o lançamento da sonda com maior antecedência e rumo a outro cometa, mas o fracasso de um primeiro vôo, o 157 do foguete Ariane, em dezembro de 2002, levou a equipe a modificar sua estratégia e buscar outro alvo.

O resultado: os intermináveis minutos durante os quais os especialistas não poderão comandar a tragetória da sonda, que custou 1 bilhão de euros.

Lançada no dia 2 de março de 2004 por um foguete Ariane, a Rosetta é a primeira sonda projetada para ficar em órbita ao redor do núcleo de um cometa, o Churiumov-Guerassimenko, sobre o qual deve deixar um pequeno veículo de aterrissagem.

Os cientistas esperam que a Rosetta forneça valiosas informações sobre o cometa, uma relíquia da nebulosa primitiva que deu origem ao Sistema Solar, há 4,5 milhões de anos.

Durante o tempo do "eclipse" marciano, todos os equipamentos não-vitais da sonda serão desligados ou funcionarão em stand-by para poupar energia.

"Os especialistas levaram meses para preparar estes minutos, para testar se uma configuração mínima de energia permitirá que o foguete espacial funcione apenas com suas próprias baterias", escreveu a ESA em seu site oficial.

Schwehm mostrou-se confiante a respeito do êxito da operação ao declarar que a equipe de Darmstadt havia acumulado bastante experiência.

O vôo sobre Marte é o segundo encontro da Rosetta com um planeta, depois do primeiro, ocorrido com a própria Terra em 2005.

Durante a viagem de 10 anos até o Churiumov-Guerassimenko, a sonda fará quatro manobras delicadas como esta.

Normalmente, as sondas espaciais se aproveitam da atração exercida pela gravidade dos planetas para aumentar sua velocidade, mas neste caso acontecerá o oposto.

"Devemos orientá-la da melhor forma possível para a próxima manobra de assistência gravitacional, que acontecerá sobre a Terra no fim do ano", explicou Schwehm.

Sua trajetória chegará ao fim em maio de 2014, depois de percorrer 7,1 bilhões de quilômetros. Antes deve superar o teste de Marte, do qual passará a cerca de 250km de distância.

Se tudo correr bem, o equipamento estará mais próximo de Marte às 2h57min GMT de domingo (23h57min de sábado, horário de Brasília), viajando à velocidade de 36.191km/h.
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