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02/03/2007 - 17h46

Combate à gripe das aves na Ásia é marcada por altos e baixos

Por Frank Zeller
HANÓI, 2 mar (AFP) - A gripe das aves está de volta à Ásia com o fim do inverno, mas a luta contra o vírus mortal encontra obstáculos nas diferenças entre as diferentes regiões dos países, alertam especialistas sanitários.

Enquanto Vietnã e Tailândia foram aclamados como modelos no combate à gripe aviária, novos casos na Indonésia e na China despertaram preocupações de que a doença seja difícil de erradicar.

Muitos países asiáticos aprenderam muito desde que a cepa H5N1 surgiu em 2003, chegando à Europa e à África no ano passado, mas ainda há lacunas e a ameaça de uma pandemia continua real, afirmam epidemiologistas.

Novas infecções humanas na China e no Laos e recentes casos em aves em Mianmar, Paquistão, Afeganistão e Hong Kong são lembretes de que o vírus "ainda está entrincheirado", disse o porta-voz da Organização Mundial da Saúde (OMS), Peter Cordingley.

"Se você der uma boa olhada na região, eu diria que a situação é a mesma do ano passado, quando vimos a gripe aviária chegar à África", declarou.

"Já estamos vendo sinais disto. Estamos vendo casos humanos no Egito e na Ásia, o vírus está obviamente se tornando bem ativo", continuou.

A gripe das aves agora está surgindo em novas regiões e os fatores de risco para a transmissão aumentaram, disse He Changchui, chefe da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) para a região Ásia-Pacífico, com sede em Bangcoc.

"No ano passado parecia que tínhamos mais associação com aves selvagens migratórias, mas este ano também descobrimos que o comércio e a circulação de aves de criação desempenham um papel muito grande", acrescentou.

"O vírus não conhece fronteiras e devido à globalização, ao aumento do comércio transfronteiriço e a uma maior integração regional em trânsito de mercadorias e de pessoas viajando, podemos facilmente levar o vírus de um país para outro", continuou.

Auxiliados pela ajuda e o know-how internacionais, alguns países criaram redes extensivas de vigilância, novos laboratórios, campanhas de vacinação e de educação, enquanto outros estão muito atrás.

"Sem sombra de dúvida, a Indonésia é o marco zero global para a gripe das aves", disse Cordingley sobre o país que tem a mais alta taxa de mortalidade pela doença em um único país para 63 do total de 167 óbitos confirmado pela OMS.

"O vírus tem um forte poder em grandes partes do país e estamos muito preocupados com a Indonésia", afirmou, falando de Manila.

Cordingley ressaltou, no entanto, que "alguns países se saíram bem, como Vietnã e Tailândia. Mas estão observando casos em aves de criação, portanto existe claramente uma grande luta para ser combatida nestes dois países".

Nesta sexta-feira, a Indonésia informou um novo foco entre patos no delta do Mekong (sul) apesar das restrições de dois anos que acaba de terminar.

China, Indonésia e Vietnã enfrentam riscos similares por causa de suas densidades populacionais e aviárias, afirmou Jeff Gilbert, conselheiro técnico da FAO sobre a gripe das aves no Vietnã.

Mas até mesmos os maiores esforços de países ricos não são garantia de segurança, afirmou.

Segundo ele, se o Japão e a Coréia, que adotam uma abordagem de alto nível, ainda têm problemas, então os países mais pobres definitivamente terão problemas.

Enquanto isso, a vigilância é irregular no Camboja e no Laos, que nesta semana informou que uma menina de 15 anos se tornou o primeiro caso humano de gripe aviária do país, disse He.

"No Laos há regiões remotas sem bons sistemas de vigilância", disse. Cordingley explicou que muitos fazendeiros da Indonésia e outros países continuam ignorando a ameaça: "se você tem galinhas em qualquer lugar nesta região, tem uma boa razão para seu cauteloso a respeito delas".

Quanto à ameaça ampla da gripe aviária, afirmou, "somos cuidados em não dizer às pessoas que está fora de controle, porque não está fora de controle".

Mas ele afirmou que persiste o temor de que a gripe aviária "evolua para uma forma humana, transformando-se em uma cepa pandêmica. Se for tão virulento na forma pandêmica quanto é atualmente, então claramente teremos nas mãos uma catástrofe de saúde pública".

Longe do epicentro dos casos, autoridades sanitárias centro-americanas anunciaram nesta sexta-feira a intensificação dos preparativos para uma eventual pandemia de gripe originada pela gripe das aves, que os especialistas consideram inevitável e potencialmente catastrófica para a região.

Os responsáveis fizeram um esforço para criar novos locais de vigilância epidemiológica nos hospitais, organizar campanhas educativas para a população e capacitar pessoal, apesar de suas limitações orçamentárias, disse à AFP o doutor Humberto Montiel, da Organização Pan-americana da Saúde (OPS).
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