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02/04/2007 - 20h35

Esqueleto de homem encontrado em Pequim é o mais antigo da Ásia

CHICAGO, 2 abr (AFP) - Os ossos fossilizados de um homem moderno primitivo descobertos em Pequim sugerem que a teoria de que o Homo sapiens teria surgido na África, de onde teria saído para povoar o resto do mundo, pode ser mais complexa do que se pensava, revelou um estudo publicado nesta segunda-feira na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

Os restos fossilizados foram encontrados em 2003 na caverna Tianyuan, perto de Pequim. Eles datam de 38-42 mil anos atrás, o que o torna o esqueleto mais antigo do homem moderno já descoberto na Eurásia oriental, e um dos seres humanos mais antigos da região, afirmam os autores do estudo, o antropólogo Erik Trinkaus, e o paleoantropólogo Hong Shang, ambos da Universidade Washington em St. Louis, no Missouri.

O espécime é, basicamente, um homem moderno, mas com algumas características de homens primitivos nos dentes e no osso da mão. Segundo os cientistas, ossadas levemente mais jovens e com a mesma mistura de características morfológicas também foram encontradas na Eurásia oriental.

A descoberta questiona a teoria amplamente aceita de que quando o homem deixou a África subsaariana rumo à Eurásia, ele simplesmente substituiu os humanos primitivos nativos, explicou o antropólogo Erik Trinkaus, professor da Universidade Washington em St. Louis, Missouri.

As ossadas de Tianyuan permitem, ao contrário, concluir que quando os Homo sapiens vindos da África oriental migrou para a Europa e a Ásia, entre 65.000 e 25.000 anos atrás, houve uma propagação genética do Homo sapiens a partir do oeste e do sul.

"As evidências com respeito à Eurásia ocidental foram crescendo continuamente para demonstrar que estes humanos modernos cruzaram com humanos primitivos locais à medida que se expandiam", disse Trinkaus.

"Nós não dispomos de bons dados de fósseis da Eurásia oriental para indicar se a mesma coisa acontecia lá. Mas este fóssil, o primeiro encontrado na China a ser seguramente datado neste período de tempo, prova que este acasalamento ocorreu lá também", afirmou.

Os cientistas lembram ainda que estas ossadas devem fornecer informações preciosas sobre a biologia deste espécime e permitir reconstituir a transição entre os humanos primitivos e os humanos modernos na Eurásia oriental.

"A descoberta promete fornecer dados paleontológicos relevantes para nossa compreensão do aparecimento dos humanos modernos no leste da Ásia", acrescentou Trinkaus.
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