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03/04/2007 - 17h30

Proibir concentrações públicas pode salvar vidas em uma pandemia

Por Louise Daly
CHICAGO, EUA, 3 abr (AFP) - Fechar escolas e o metrô, proibir a celebração de casamentos e de reuniões sociais pode ser a chave para minimizar os danos na eventualidade de surgir a pandemia de uma doença terrível, concluíram dois novos estudos publicados no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences.

Cientistas que analisam uma possível epidemia de gripe das aves concluíram, com base no estudo de práticas passadas, que intervir logo e agressivamente para restringir a liberdade de movimento das pessoas pode frear a transmissão de um vírus no estágio inicial da doença e dar tempo aos cientistas para encontrar uma vacina.

As conclusões surgiram de duas análises das medidas adotadas por cidades americanas na epidemia de gripe espanhola, em 1918, que matou 600.000 pessoas nos Estados Unidos e dezenas de milhões em todo o mundo.

Em 1918, muitas cidades americanas tentaram conter a epidemia fechando escolas, teatros, igrejas e salões de baile. Kansas City proibiu os casamentos e funerais com mais de 20 pessoas, enquanto que em San Francisco e Seattle os moradores foram obrigados a usar máscaras faciais.

Mas os cientistas sempre se perguntaram por que o número de mortos variou tanto entre cidades que usaram as mesmas táticas.

Revisando as informações disponíveis, os cientistas descobriram que nas cidades onde as autoridades responderam à epidemia logo e com várias restrições a reuniões sociais, a taxa de mortalidade semanal foi 50% menor do que nas cidades que demoraram mais em responder.

Em St. Louis, no Missouri, a taxa de mortalidade mais alta correspondeu a um oitavo da registrada na Filadélfia, a cidade mais afetada das 17 metrópoles incluídas no estudo.

As autoridades de St. Louis adotaram medidas de saúde pública nos dois dias que se seguiram ao primeiro caso de influenza declarado, enquanto seus colegas da Filadélfia demoraram duas semanas em agir.

A maioria das cidades flexibilizou as medidas depois de duas a oito semanas, em parte devido à pressão de empresários e comerciantes, explicou Richard Hatchett, do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas e autor de um dos estudos.

Como resultado, algumas cidades experimentaram um segundo pico de mortalidade.

Em San Francisco e St. Louis, os controles foram impostos logo e se mantiveram ao longo de janeiro de 1919, reduzindo as mortes em 25%, segundo pesquisadores do Imperial College de Londres e da Universidade de Utrecht.

"Nossos resultados mostram que intervenções não farmacêuticas podem conter substancialmente a propagação de uma pandemia", disse Neil Ferguson, pesquisador do Imperial College, que chefiou a equipe européia.

"No entanto, se quisermos que estas medidas salvem um grande número de vidas, elas devem ser mantidas até que tenhamos vacinas suficientes para imunizar a população", acrescentou.

No entanto, ele advertiu que haveria "grandes conseqüências sociais e econômicas pela imposição deste tipo de medida durante os três ou mais meses que seriam necessários para seu melhor efeito".

A Organização Mundial da Saúde (OMS) teme o surgimento de uma nova epidemia mundial de influenza desde o surgimento da gripe das aves na Ásia, no fim de 2003. Até agora, a gripe aviária infectou 288 pessoas e matou 170, mas os cientistas temem que se a cepa H5N1, responsável pela doença, sofrer uma mutação capaz de ser de fácil transmissão entre humanos, ela venha a desencadear uma epidemia mortal em todo o mundo.
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