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04/04/2007 - 12h02

Restos presumíveis de Joana d'Arc na verdade são de múmia egípcia

PARIS, 4 abr 2007 (AFP) - Os restos presumíveis da heroína francesa Joana d'Arc, conservados numa cidade do centro da França, são na realidade os fragmentos de múmia egípcia, revela um estudo a ser divulgado nesta quinta-feira na revista britânica Nature.

"As relíquias da santa Joana d'Arc não são partes do corpo da heroína francesa do século XV mas os de múmia egípcia", diz o artigo citando o professor Philippe Charlier, médico legista de um hospital da região parisiense.

Os fragmentos humanos aparentemente queimados, misturados a pequenos pedaços de madeira e de tecido e a pólen de pinheiro foram apresentados em 1867 como pertencentes à heroína condenada à fogueira por heresia no ano de 1431 após ter-se batido contra o ocupante inglês." Várias pesquisas científicas realizadas no século passado para determinar sua verdadeira origem forneceram resultados divergentes.

Segundo a Nature, o professor Charlier chegou à pista da múmia através de exames muito originais.

Grandes perfumistas já haviam afirmado ter sentido junto aos restos um leve odor de baunilha - um perfume produzido pela "decomposição de um corpo", não por sua cremação, destaca Philippe Charlier no artigo: "isto corresponde ao cheiro constatado junto a uma múmia", insistiu.

Uma análise microscópica e química do fragmento de costela mostrou, além disso, que não havia sido queimado, mas impregnado de um "produto vegetal e mineral" de cor negra. "Não se trata de um tecido humano queimado", acrescentou o médico legista.

O linho da mortalha possui características próprias e este tecido era utilizado pelos egípcios para envolver os corpos de seus mortos.

Além disso, não havia pinheiros na Normandia (nordeste da França) no momento da morte de Joana d'Arc, e o pólen desta espécie de árvore encontrado nas relíquias é uma outra prova. A resina do pinheiro era usada no Egito nas cerimônias de embalsamamento.

Um estudo com carbono 14 data os restos entre o sexto e o terceiro século antes de nossa era.

Segundo a Nature, o professor Charlier destaca que na Idade Média alguns medicamentos eram produzidos na Europa a partir de múmias.

Joana d'Arc, uma camponesa nascida em 1412, conseguiu reunir tropas para combater os ocupantes ingleses mas foi capturada e condenada à fogueira com a idade de 19 anos. Ela foi canonizada em 1920 pela Igreja Católica.
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