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11/04/2007 - 19h08

Estudo indica terapia para impedir gene mutante de gerar tumor e metástase

Por Marlowe Hood PARIS, 11 abr (AFP) - Cientistas americanos isolaram um grupo de quatro genes estreitamente vinculados com o crescimento de células cancerígenas de mama e sua disseminação para os pulmões, revelou um estudo publicado nesta quarta-feira.

As descobertas sugerem que uma combinação de medicamentos poderia impedir estes genes mutantes de formarem tumores e gerarem metástase, o processo pelo qual células cancerosas infectam outros órgãos depois de viajarem pela corrente sangüínea ou pelo sistema linfático.

Em uma experiência feita com cobaias, que tiveram células cancerígenas humanas injetadas em seu organismo, "dois medicamentos disponíveis clinicamente demonstraram uma redução em dez vezes da taxa de crescimento de tumores pulmonares" quando administrados juntos, explicou Joan Massague, biólogo especializado em oncologia e principal autor do estudo.

A maioria das mortes causadas por câncer é atribuída a metástases.

Massague e uma equipe de cientistas do Memorial Sloan-Kettering Cancer Center de Nova York publicaram suas descobertas na atual edição do semanário científico britânico Nature.

O estudo demonstrou que os quatro genes defeituosos, agindo em sinergia, formaram "uma rede de vasos sangüíneos tortuosa e altamente permeável" nos tumores.

Para confirmar que os genes agiram juntos para disseminar o câncer, os cientistas os desativaram nas cobaias, através de manipulação genética nas células de câncer de mama que se espalhavam para os pulmões. O resultado foi uma redução quase completa do crescimento e da expansão.

Este "remendo" genético não é possível como terapia, disse Massague à AFP.

O estudo também ressaltou a existência de uma "divisão de trabalho" entre duas categorias diferentes de genes, com alguns se envolvendo exclusivamente na metástase, e outros agindo no crescimento do tumor.

Há muitos tipos de câncer, mas todos se caracterizam pela divisão descontrolada das células humanas que se espalha invadindo tecidos vizinhos ou por metástase.

Quando as células normais sofrem danos irreparáveis, elas são programadas para se autodestruir em um processo denominado apoptose. Mas quando o câncer acontece, este mecanismo falha e as células deficientes continuam a se multiplicar de forma incontrolável.

Os quatro genes identificados já são bem conhecidos dos oncologistas, mas este é o primeiro estudo a demonstrar claramente como seu efeito combinado acelera a disseminação do câncer.

O estudo também testou a capacidade de alguns medicamentos, conhecidos por inibir a atividade de cada gene, em bloquear o crescimento do câncer.

Individualmente, as três drogas tiveram um impacto pequeno ou inexistente em deter a proliferação do câncer nos ratos que tiveram células tumorais injetadas no corpo, repetindo os resultados obtidos por manipulação genética.

No entanto, quando combinados, estes medicamentos reduziram o crescimento dos tumores em aproximadamente 50% em comparação com as cobaias que não foram submetidas a qualquer tratamento. Em pacientes humanos, os tumores de câncer de mama são removidos cirurgicamente.

Mais significativo, segundo Massague, foi a redução em dez vezes do crescimento dos tumores, obtido visando os genes que ajudam as células cancerosas a se espalhar das glândulas mamárias para os pulmões.

Apesar dos grandes avanços nas terapias hormonais e pontuais, o período médio de sobrevida depois do diagnóstico de pacientes com metástase de câncer de mama é de menos de dois anos.

No entanto, os autores foram cautelosos em descrever o potencial terapêutico de suas descobertas.

"Não é tão simples quanto parece", explicou Massague. "Não estamos falando de tirar os pacientes da quimioterapia para fazer testes, a questão é como combinar o tratamento atual com os coquetéis de medicamentos".

O início dos testes clínicos, previstos para começar em breve, podem ter resultados preliminares em um par de anos, afirmou.

As implicações do estudo, segundo ele, poderiam se estender além do câncer de mama para outras formas da doença, tais como o câncer de cólon ou de fígado, que envolvem os mesmos genes e podem se espalhar para os pulmões.

O câncer de mama é a forma mais comum do carcinoma, a formação de tumores malignos em células encontradas na pele e na superfície de alguns órgãos, como os pulmões e o cólon.
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