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16/05/2007 - 17h59

Vacinas experimentais contra a Aids dão imunidade limitada

Por Louise Daly
CHICAGO, EUA, 16 mai (AFP) - As mais promissoras das várias vacinas experimentais contra a Aids em desenvolvimento darão uma imunidade apenas limitada contra o vírus mortal, informaram nesta quarta-feira cientistas do governo americano.

Diferente das vacinas clássicas, a primeira geração de vacinas contra o HIV - o vírus causador da Aids - não permitirá ao organismo repudiar o vírus, mas poderá proteger o sistema imunológico dos seus piores efeitos e adiar o aparecimento da doença.

Devido ao fato de os pacientes estarem passando pelo momento mais infeccioso quando os níveis do vírus são altos, estas vacinas também poderiam reduzir a extensão da doença sexualmente transmissível, tornando-se uma ferramenta útil para as autoridades sanitárias para conter a epidemia mundial de HIV/Aids.

"Há otimismo de que, inclusive, uma vacina que não seja perfeita possa beneficiar tanto os receptores individuais quanto a comunidade em risco", informaram os autores em um comentário publicado no New England Journal of Medicine.

Ainda não se sabe quando as primeiras vacinas estarão disponíveis. No entanto, as fases I e II dos testes clínicos "já estão em execução. Muitas pessoas estão sendo vacinadas", disse Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID, na sigla em inglês) e um dos autores do estudo.

Nos últimos vinte anos, cientistas de todo o mundo procuram uma vacina contra o vírus da imunodeficiência humana adquirida (HIV), mas os esforços têm sido frustrados pela habilidade do vírus de sofrer mutação.

Ultimamente, os cientistas centraram sua atenção nas denominadas vacinas das chamadas células T, que basicamente são as responsáveis por indicar às outras células do sistema imunológico que devem combater uma infecção do corpo e preservar as células críticas necessárias para controlar a infecção.

Segundo o informe, em estudos com animais, os níveis do vírus caíram em primatas aos quais foi inoculado este tipo de vacina antes de serem infectados com a versão animal do HIV.

As inoculações também retardaram "dramaticamente" o avanço da doença em muitos animais, disse Fauci.

A esperança é que uma vacina humana de células T eficaz possa melhorar substancialmente a qualidade de vida das pessoas infectadas após a imunização, adiando desenvolvimento da Aids, quando se vêm forçadas a iniciar tratamento com um coquetel de medicamentos.

Além disso, ao conter o aparecimento inicial do vírus e controlar melhor seus níveis, um programa de imunização poderia potencialmente reduzir a propagação da epidemia.

Estudos de cruzamento informático de dados sugeriram que até mesmo uma vacina que não dê proteção adequada contra a infecção poderia alterar o curso da epidemia, segundo o informe, mas são necessárias mais análises para pôr à prova esta hipótese, afirmaram os autores.

Quarenta milhões de pessoas são soropositivas no mundo e outras 11.000 contraem o vírus diariamente, a maioria nos países mais pobres, segundo o NIAID.

A publicação do comentário coincide com o décimo aniversário, na sexta-feira, do Dia de Conscientização sobre a Vacina contra o HIV.
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