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23/05/2007 - 18h56

Estudo analisa o impacto do aquecimento global nos furacões

PARIS, 23 mai (AFP) - Os fenômenos climáticos que ocorrem no Pacífico e na África ocidental ajudam a determinar a freqüência de grandes furacões que atingem o Caribe e o Atlântico Ocidental, segundo um estudo que será publicado na edição desta quinta-feira da revista britânica Nature. O estudo se volta para um dos maiores questionamentos a respeito da mudança climática: ao esquentar as águas dos mares que dão força ao furacões, o aquecimento global também tornará estas violentas tempestades mais freqüentes?

Especialistas dedicados a responder a esta pergunta se viam confrontados com a dificuldade de se colocar numa perspectiva de longo prazo para poder comparar os efeitos do aquecimento global provocado pelo homem com episódios passados de mudança climática com causas naturais.

Os cientistas Jeffrey Donnelly e Jonathan Woodruff, do Instituto Oceanográfico Woods Hole, em Massachusetts (EUA), descobriram um caminho para resolver o problema, ao perfurar o núcleo sedimentar de uma lagoa em Porto Rico, um dos pontos do Caribe mais expostos a furacões.

Sempre que um grande furacão atingiu a ilha porto-riquenha de Vieques, suas ondas também remexeram o leito marinho, depositando uma camada de areia grossa no fundo da lagoa.

Tomando estas camadas como base, Donnelly e Woodruff conseguiram construir um histórico de furacões no local que remonta há 5.000 anos.

Eles descobriram um vínculo notável entre estas tempestades e registros externos da freqüência do fenômeno El Niño - o aquecimento anormal das águas do Pacífico Tropical, que pode afetar o clima em todo o mundo - e a intensidade das monções na África ocidental.

Muitos climatologistas acreditam que a água mais quente no Atlântico ocidental, com a exacerbação da convecção atmosférica, tornará os furacões mais potentes e mais freqüentes. E alguns acham que este processo já está em andamento.

Em abril, o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC), que reuniu as maiores autoridades sobre aquecimento global e seus efeitos, declarou que é "provável" que as intensas tempestades tropicais, uma categoria que inclui tanto tufões quanto furacões, sofram um aumento de atividade neste século.

O novo estudo, no entanto, diz que o calor sozinho não é o único fator a influenciar os furacões, mas a dinâmica atmosférica causada por El Niño e pela corrente de jato africana também desempenham um papel importante.

A última metade da chamada Pequena Era Glacial - um período misterioso de repentino resfriamento que durou do século XVI a meados do XIX -, foi intensa na formação de furacões, disseram Donnelly e Woodruff.

"Para prever corretamente mudanças na atividade intensa de furacões, é importante compreender como o El Niño/Oscilação Sul (ENOS) e a monção oeste-africana responderão à futura mudança climática", disseram.

As opiniões dos especialistas sobre estas duas questões são contraditórias. Alguns afirmam que o fenômeno El Niño será mais generalizado em conseqüência do aquecimento global, tornando-se um típico estado climático ao invés de uma simples oscilação. Outros afirmam que o fenômeno se tornará mais freqüente, ocorrendo a cada três ou quatro anos, ao invés de a cada cinco, como ocorre atualmente.

Quanto à monção oeste-africana, alguns estudos sugerem que se enfraquecerá, embora o IPCC, em sua última análise de evidências, diga que a previsão não é clara.
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