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26/06/2007 - 15h23

Morcegos que contraíram raiva são nocivos por curto espaço de tempo

PARIS, 26 Jun 2007 (AFP) - Um amplo estudo a respeito da raiva entre os morcegos, animais comuns em toda a Europa, conforta a decisão tomada pela União Européia de proteger estes mamíferos, apesar de eles apresentarem um risco potencial - e limitado - ao homem, afirma um estudo a ser publicado nesta quarta-feira pela revista americana PloS ONE.

O estudo, "o maior já realizado sobre morcegos" ficou a cargo dos especialistas Hervé Bourhy (Instituto Pasteur, Paris) e de Jordi Serra-Cobo (Universidade de Barcelona, Espanha).

Foram acompanhados mais de 800 morcegos insetívoros da espécie "Myotis myotis" (Morcego rato-grande) nas ilhas Baleares (Espanha) por 12 anos.

Os pesquisadores calcularam o tempo durante o qual um morcego infectado poderia contaminar outro animal: cinco dias em média. Os estudiosos demonstraram que a infecção pelo lyssavirus (vírus responsável pela raiva) não provoca a morte dos morcegos e não modifica seu comportamento, ao contrário do que acontece entre os cachorros e as raposas, por exemplo.

"Mesmo que nós tenhamos confirmado o risco potencial de transmissão do lyssavirus dos morcegos ao homem, nós também mostramos, pelo menos com relação à espécie estudada, que este risco é limitado no tempo", comenta Hervé Bourhy.

"A dinâmica da infecção (cíclica) entre os morcegos põe em evidência a decisão tomada pela Europa de proteger estes animais e de não destruir as colônias nas quais há raiva", disse ele.

"A única medida razoável hoje é, como o que foi feito em Baleares, de proibir o acesso às grutas que abrigam os morcegos suscetíveis a serem infectados", acrescenta o especialista.

A raiva, fatal na ausência de tratamento e mais freqüentemente transmitida por cães, causa cerca de 50.000 mortes por ano no mundo.

Os morcegos estão na origem de poucos casos entre humanos. Na Europa, apenas quatro foram registrados desde 1985: um na Finlândia, um na Escócia, um na Ucrânia e um na Rússia.

O Instituto Pasteur (Paris e Tunis) coordena o programa (www.rabmedcontrol.org) financiado pela União Européia, com o investimento de 1,1 milhão de euros em três anos. A intenção é eliminar a raiva da África do Norte, onde a doença provoca centenas de mortes por ano.

Na França e na União Européia é proibido matar, capturar ou comercializar morcegos. Tocar em um animal doente ou morto é algo severamente desaconselhável.
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