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13/07/2007 - 14h22

Cientistas franceses e brasileiros encontram novas pistas sobre a leptospirose

Da AFP, em Paris
Cientistas franceses, em colaboração com brasileiros, identificaram um gene da bactéria da leptospirose, muito ativa nas zonas tropicais, o que ajudará em novas vacinas e diagnósticos mais efetivos, segundo estudo publicado nesta sexta-feira.

A leptospirose é uma infecção produzida pela Leptospira interrogans, um gênero de bactéria leptospirácea, espiroquetale, patogênica para o homem e outros mamíferos, que ocorre em roedores, especialmente na urina dos ratos, que a espalham através da água. O homem e outros animais se contagiam através de feridas na pele ou pelas mucosas.

Responsável por 500.000 casos ao ano em todo o mundo, esta doença animal transmissível ao homem, é também conhecida com o nome de Enfermidade de Weil.

Manifestando-se como gripe, a leptospirose pode provocar convulsões, insuficiência renal, graves hemorragias pulmonares ou digestivas e estados comatosos, que entre 5 e 20% dos casos provocam a morte, segundo o Instituto Pasteur de Paris.

Na França, a Enfermidade de Weil afeta 300 pessoas ao ano, o que representa uma taxa de 0,5 para cada 100.000 habitantes, ante apenas 0,02 nos Estados Unidos.

Mas em muitos países da América Latina e do sudeste asiático a incidência é considerada até mil vezes maior.

Um século depois do descobrimento desse agente patogênico em 1907 pelo americano Arthur M. Stimson, os cientistas do Instituto Pasteur, em colaboração com equipe da Fundação Oswaldo Cruz no Brasil, descobriram um gene chave no virulento comportamento da bactéria, segundo os trabalhos publicados na edição on-line da revista científica PLOS Pathogens.

Trata-se do gene Loa22 que decodifica uma proteína da membrana externa da bactéria. O processo é o seguinte: as bactérias mutantes nas quais o gene não se ativa perdem a capacidade para infectar, mas a reintrodução do Loa22 as devolve seu poder patogênico, precisa o instituto em nota.

"Muito difícil de ser cultivada" em laboratório, segundo Mathieu Picardeau (da unidade de biologia das espiroquetas do Instituto Pasteur), a bactéria da leptospirose foi objeto até o momento de poucas pesquisas em relação aos graves danos à saúde e aos custos econômicos que provoca.

Os testes atuais levam uma semana para serem realizados e as vacinas têm eficácia limitada porque protegem apenas ante determinadas cepas da bactéria.
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