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02/08/2007 - 17h57

Abelhas reforçam esquadrão antibomba croata

Da AFP, em Zagreb
Sob os olhares atentos de seus treinadores, centenas de abelhas se lançam sobre um aprazível campo nas proximidades de Zagreb, não à procura de pólen, mas de minas espalhadas que esses insetos são capazes de detectar graças ao seu odor excepcional.

Estas grandes operárias foram especialmente treinadas por cientistas da Faculdade de Agronomia de Zagreb para que sejam capazes de identificar o cheiro dos explosivos.

Em pouco tempo elas devem ser levadas a campos minados de verdade que, doze anos depois do fim da guerra da Croácia (1191-1995), ainda possui minas instaladas nas antigas zonas de combate.

"Até agora tivemos excelentes resultados, mesmo que o nível sensorial desejado das abelhas ainda não tenha sido atingido. Isso depende a partir de agora de nossa própria tenacidade", comemora Nikola Kezic, professor da faculdade.

Para ensinar às abelhas a sentirem o cheiro das minas, os treinadores põem pequenas quantidades de TNT em taças e as colocam ao lado dos recipientes onde fica a comida dos insetos. O objetivo é fazê-los associar o odor do explosivo ao do alimento.

"As abelhas voam sobre estas mostras de TNT, mas o odor exalado pelo explosivo de uma mina escondida na terra é muito mais fraco. Nós queremos então que as abelhas sejam atraídas por cheiros menos intensos", explica Kezic.

De acordo com o pesquisador, são necessários apenas quatro dias para treinar estes insetos a rastrarem o cheiro do explosivo.

"Por enquanto, nós ainda não as levaremos para os verdadeiros campos minados. Estamos esperando que este método seja validado", afirma ele. Em breve, este esquadrão anti-bombas voador será utilizado para controlar as zonas que foram "limpas" pelos métodos clássicos.

"Nenhum campo foi 100% limpo e qualquer método com o qual nós melhoramos a segurança tem um valor inestimável", explica Kezic.

Ainda hoje cerca de 1.100 km2 do território croata, 2% da superfície total do país, são infestados por aproximadamente 250.000 minas e outros explosivos.

Aos 35 milhões de euros recolhidos em 2006 pelo Centro Croata de Desminagem (CCD) será necessária a adição de 1,3 bilhão de euros para desarmar as minas do país.

A ambição do governo croata é "limpar" as principais "zonas de alto risco" até 2009. 80% dos custos do procedimento são assumidos pelo Estado e por empresas locais que, com os modestos 20% cedidos por governos estrangeiros, formam um panorama desalentador: neste ritmo de investimentos, seriam necessários 30 anos para que a Croácia se visse livre das minas.

A operação de retirada de minas envolve hoje 30 companhias, cerca de 600 especialistas e mais 130 cães farejadores.

O diretor do centro de desenvolvimento do HCD, Nikola Pavkovic, considera que o projeto com as abelhas é promissor, numa situação em que o Estado dispõe de poucos recursos para encontrar as minas.

"Isso poderia contribuir com o aumento da segurança entre os agentes anti-bomba e os cidadãos", afirma o técnico, acrescentando que métodos similares de detecção de explosivos já foram desenvolvidos pelos Estados Unidos, Canadá e África do Sul.

Depois do fim da guerra, 450 pessoas foram mortas na Croácia em explosões de minas e outras 1.800 pessoas foram mutiladas, segundo estatísticas oficiais.
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