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07/12/2007 - 12h19

Desmatamento na Amazônia caiu 20%, diz governo

Eric Brücher Camara
Enviado especial a Bali (Indonésia)
O ministério do Meio Ambiente anunciou nesta sexta-feira que o desmatamento na Amazônia caiu pelo terceiro ano consecutivo e atingiu o segundo menor índice já registrado - o mais baixo foi 11.030 quilômetros quadrados, em 1991.

Entre agosto de 2006 e julho de 2007, a Amazônia perdeu uma área de 11.224 quilômetros quadrados, segundo o programa de monitoramento por satélite da região (Prodes).

Embora internamente houvesse no governo uma expectativa de uma queda ainda maior, o número revela uma redução de 20% em comparação com o ano anterior e eleva o total acumulado de cortes do desmatamento nos últimos três anos a quase 60%.

A notícia foi bem recebida por delegações e organizações ambientalistas que acompanham a conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) em Bali, na Indonésia.

"Isso mostra que as políticas aplicadas na Amazônia pelo governo do Brasil estão surtindo efeito e podemos usar esse formato como um dos modelos para aplicar em outras regiões do planeta que também enfrentam o problema do desmatamento", afirmou o chefe da delegação da Comissão Européia em Bali, Artur Runge-Metzger.

Ambientalistas também aplaudiram o resultado da política brasileira para a Amazônia, mas fizeram um alerta: se o plano do Brasil não for revisado e ampliado, esses três anos de queda podem ser comprometidos.

A explicação para isso é o aumento do preço de commodities como a soja e o milho nos mercados internacionais.

Críticas

"Desde maio, houve uma subida expressiva principalmente no preço da soja. Essa pressão sobre o desmatamento por causa da valorização das commodities deve acender um sinal de alerta no governo", disse o coordenador da campanha para a Amazônia do Greenpeace, Paulo Adário.

No entanto, de acordo com o ambientalista, por causa das temporadas de safra e colheita, essa pressão do mercado só deve se traduzir em pressão por desmatamento a partir do ano que vem, ou seja, na próxima safra.

Até lá, o governo brasileiro deveria se preparar para enfrentar o problema da melhor maneira possível, diz o coordenador do programa de Desenvolvimento Sustentável do WWF-Brasil, Mauro Armelin.

"É preciso estar preparado para quando a pressão por desmatamento voltar com toda a força, o governo tenha armas para combater isso", afirmou Armelin, que classificou o período entre 2006 e 2007 de "ano perdido".

"Perdemos um ano importantíssimo para traçar um plano que entendesse para onde o desmatamento está indo e para implementar mais unidades de conservação na Amazônia."

Na quinta-feira, o WWF divulgou um estudo que prevê a destruição de mais de metade da Amazônia até 2030.

Recentemente, o governo anunciou a criação do Grupo Permanente de Responsabilização Ambiental para articular estratégias de fiscalização e controle ambiental mais eficiente e integrado entre os órgãos federais e os Estados.

Segundo o Ministério do Meio Ambiente, essas ações devem ser focadas em municípios considerados de risco potencial de aumento de desmatamentos.

O Pará foi o único Estado que apresentou crescimento na taxa de desmatamento, de 1%, o que levou à perda de 5.569 quilômetros quadrados de floresta.

Em seguida vem o Mato Grosso, com 2.476 km², Rondônia, com estimativa para 2006-2007 de 1.465 km² de área desmatada.

Pará, Mato Grosso e Rondônia juntos foram responsáveis por 85% dos desmatamentos na Amazônia no período divulgado nesta sexta-feira.
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