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10/12/2007 - 15h23

Brasil busca apoio com mudança de política em Bali

Eric Brücher Camara
Como parte de uma iniciativa para angariar apoio entre os países em desenvolvimento, o Brasil lançou nesta segunda-feira uma ofensiva diplomática na reunião da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre mudança climática, em Bali, na Indonésia.

O primeiro passo foi um almoço com diversos representantes dos países em desenvolvimento que têm interesses mais ou menos comuns aos brasileiros. De acordo com o embaixador extraordinário para Mudança Climática, Sergio Serra, o encontro foi "positivo".

O mais importante, no entanto, foi a mudança de uma postura, que segundo críticos, estava isolando o país no encontro de Bali. O Brasil fez concessões importantes em um dos temas que provocam mais polêmica nas atuais discussões: o desmatamento.

Até a semana passada, a posição do Brasil sobre os chamados REDD - mecanismos de redução de emissões de desmatamento e degradação em países em desenvolvimento, na sigla em inglês - era totalmente contrária ao "segundo D", o de degradação. A proposta, no entanto, é defendida por dezenas de países, embora ainda não exista consenso científico sobre como o cálculo das emissões de carbono devido ao desmatamento poderia ser feito.

"Podemos ver diferença entre floresta e não-floresta, mas ver a diferença entre muito desmatado e moderadamente desmatado é um desafio", disse à BBC Brasil a cientista americana Holly Gibbs, autora de um estudo que propõe uma nova metodologia que estima o estoque de carbono de florestas.

"Também é difícil estimar o impacto de madeira para lenha ou de incêndios abaixo da copa das árvores", acrescentou Gibbs. "Todos os tipos de degradação reduzem os estoques de carbono." Apesar disso, de acordo com o embaixador Serra, "no espírito de flexibilidade", o Brasil cedeu neste quesito.

"Com todas as dificuldades que isso implica, já que ainda é preciso definir o que é degradação", disse o diplomata. "É um complicador." Também entrou na pauta de negociações nesta segunda-feira outro tema ao que o Brasil se opunha: o de vincular a redução do desmatamento aos chamados mecanismos de mercado, como a concessão de créditos de carbono, títulos que podem ser comprados pelos países ricos.

"Poderíamos até pensar em alguma coisa neste sentido, mas seria referente a uma pequena porcentagem da redução", afirmou.

Serra deixou claro que o Brasil continua a defender principalmente a criação de um fundo de combate ao problema financiado pelos países ricos, mas gerenciado por cada país.

O argumento oficial do governo brasileiro é que o lançamento no mercado de muitos créditos de carbono, por causa de uma possível redução no desmatamento em países em desenvolvimento, poderia esvaziar o objetivo de reduzir as emissões globais de carbono, já que os países ricos não precisariam investir em cortes de emissões.

Como a reunião em Bali visa apenas criar o roteiro para as negociações nos próximos dois anos, na prática, a discussão sobre o possível funcionamento desses mecanismos só deve acontecer a partir do próximo encontro, no ano que vem.

A mudança de tática brasileira, entretanto, não inclui uma reformulação sobre o desmatamento evitado - ou seja, o pagamento de crédito pelo carbono não liberado na atmosfera.

Neste caso, o temor é que países produtores de petróleo pudessem se valer do precedente para exigir compensações para não extrair petróleo, que levará a emissões de carbono, do solo.

Na terça-feira, acontecem as últimas rodadas de discussão antes da fase ministerial da reunião, com a participação da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e do chanceler Celso Amorim.

Portanto, até quarta-feira, a expectativa é de que os temas mais polêmicos sejam resolvidos e que a nova estratégia do Brasil - caso venha a dar resultado - já tenha funcionado.
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