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19/12/2007 - 11h43

Estudo identifica genes que armazenam gordura em células

Da BBC Brasil
Cientistas americanos descobriram a forma como gordura é armazenada nas células do corpo humano, uma descoberta que pode abrir caminho para novos tratamentos para obesidade.

A pesquisa, realizada no Albert Einstein College of Medicine, em Nova York, identificou dois genes que controlam o armazenamento de gordura em forma de gotículas lipídicas dentro de uma camada de psopolídios e proteínas.

O processo é considerado importante para permitir que as células usem a gordura como fonte de energia, mas o armazenamento excessivo de gordura pode causar obesidade.

Para os cientistas, ao identificar a atividade dos genes, a pesquisa pode ajudar no tratamento da obesidade causada pelo acúmulo de gotículas lipídicas.

O estudo foi publicado na revista científica "Proceedings of the National Academy os Sciences".

Testes

Os cientistas fizeram vários testes para confirmar o papel dos genes, chamados de FIT1 e FIT2 (transcriptos indutores de gordura, na sigla em inglês), no armazenamento de gordura.

No primeiro, exemplares adicionais dos genes foram inseridos em células humanas. Apesar dos genes não terem interferido na síntese de gordura, o número de gotículas lipídicas criadas pelas células aumentou em até seis vezes.

Em outro teste, os cientistas suprimiram o gene FIT2 das células de gordura de ratos, o que causou uma redução significante na produção das gotículas.

No experimento mais complexo, os pesquisadores testaram o "desligamento" do FIT2 em um peixe-zebra, injetando, em ovas do animal, alguns segmentos de DNA que interferiam na ação do FIT2.

As larvas foram alimentadas, durante seis horas, com uma dieta de alto teor gorduroso para tentar induzir a formação das gotículas. No entanto, o exame do fígado e intestino dos peixes revelou a ausência das gotículas lipídicas.

Para David Silver, que liderou a pesquisa, os resultados comprovariam que os genes FIT são essenciais para o acúmulo das gotículas nas células.

Obesidade

Para Silver, a pesquisa pode ajudar no desenvolvimento de medicamentos que regulem a atividade destes genes e auxiliem no tratamento da obesidade.

"Os medicamentos podem ser valiosos não apenas para tratar o acúmulo de gotículas que causam a obesidade, mas para aliviar distúrbios sérios provocados pela obesidade, como a diabetes tipo 2 e doenças cardíacas", disse.

Para Ian Campbell, diretor da organização Weight Concern, que trata de assuntos relacionados à obesidade, a pesquisa é interessante e "contribui para a noção de que o risco de se tornar obeso pode ser genético".

"A obesidade não é apenas culpa do indivíduo. Melhorar nosso entendimento sobre o armazenamento de gordura no corpo vai ajudar a desenvolver novos tratamentos", afirmou Campbell.

Apesar disso, o médico ressalta que nenhum medicamento vai eliminar a necessidade de uma dieta baixa em calorias e gordura e a prática de exercícios no tratamento da obesidade.

Para Douglas Smallwood, da ONG britânica Diabetes UK, a obesidade é a maior causa da diabetes tipo 2.

"A descoberta dos genes que influenciam na obesidade pode nos ajudar a entender porque algumas pessoas ganham mais peso que outras", afirma.

"O estudo pode abrir vários caminhos para entender e tratar a obesidade e as condições provocadas pela obesidade, como a diabetes tipo 2".
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