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02/01/2008 - 14h17

Estudo quantifica vantagem da altitude no futebol

Manuel Toledo
Da BBC Brasil
As equipes de futebol de países de altitudes elevadas têm vantagens significativas sobre os adversários, onde quer que eles joguem, segundo um estudo publicado na última edição da revista British Medical Journal.

O artigo se baseou em uma análise estatística de 1.460 partidas internacionais entre equipes de dez países da América do Sul, entre eles o Brasil, durante o período de 1890 a 2004.

O autor do trabalho, o matemático Patrick E. McSharry, da Universidade de Oxford, disse à BBC que as equipes de países de altitude elevada marcaram mais e sofreram menos gols à medida que aumentava a altitude da partida.

"Para cada quilômetro de variação na altitude, a diferença é de aproximadamente meio gol", explicou ele.

Segundo o pesquisador, "no caso da Bolívia, jogando em seu próprio estádio, em La Paz, isso representaria como média uma vitória por 2,18 gols e uma vantagem de 1,48 gols em partidas contra equipes provenientes de países mais próximos ao nível do mar".

"A probabilidade de que uma equipe vença em seu próprio estádio quando joga contra uma equipe de país de mesma altitude é de 0,537", diz o estudo.

"Mas se, por exemplo, a equipe da Bolívia jogasse em La Paz contra o Brasil, esta propabilidade subiria para 0,825."

"No entanto, se a partida entre Brasil e Bolívia for no Rio de Janeiro, a probabilidade de que o Brasil ganhe é de apenas 0,213", destaca.

2.750 metros

O matemático baseou sua pesquisa em estatísticas da Federação Internacional de Associações de Futebol, a Fifa, e se limitou às partidas disputadas na América do Sul.

Em seu estudo, McSharry usou quatro variáveis: a probabilidade de ganhar, o número de gols marcados, o número de gols sofridos e a diferença de altitude do local de origem das equipes.

Os países e cidades estudados foram Argentina (Buenos Aires, 30 metros acima do nível do mar), Bolívia (La Paz, 3.600 metros), Brasil (Rio de Janeiro, 5 metros), Chile (Santiago, 520 metros), Colômbia (Bogotá, 2.600 metros), Equador (Quito, 2.800 metros), Paraguai (Assunção, 60 metros), Peru (Lima, 90 metros), Uruguai (Montevidéu, 30 metros) e Venezuela (Caracas, 1.000 metros).

Em maio de 2007, o comitê executivo da Fifa proibiu a disputa de partidas internacionais em estádios situados a mais de 2.500 metros acima do nível do mar.

A decisão, que segundo o organismo foi tomada para proteger a saúde dos jogadores e garantir que nenhuma equipe tenha vantagem sobre a outra, provocou protestos entre as autoridades esportivas e políticas da Bolívia, Colômbia, Equador e Peru, os quatro países andinos afetados pela medida.

Finalmente, no dia 15 de dezembro a Fifa disse que, seguindo "a recomendação apresentada por destacados especialistas médicos de todo o mundo", não vai permitir que sejam disputadas partidas a uma altura superior a 2.750 metros acima do nível do mar "sem a aclimatação necessária" para os jogadores.
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