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08/01/2008 - 12h08

Ansiedade aumenta risco de doenças cardíacas, diz estudo

Da BBC Brasil
Uma nova pesquisa da University of Southern Califórnia, nos Estados Unidos, indica que a ansiedade pode aumentar o risco de uma pessoa desenvolver doenças cardíacas em até 40%.

Estudos anteriores já apontavam que pessoas com a personalidade do chamado Tipo A - com tendência à competitividade, falta de tempo, envolvimento em múltiplas funções, ansiedade excessiva e incapacidade de relaxar, entre outras características - têm maior propensão a desenvolver doenças cardíacas.

Agora, a nova pesquisa publicada na revista especializada "Journal of American College of Cardiology" diz que ansiedade a longo prazo eleva esse risco, mesmo quando outros fatores comuns são levados em consideração.

"O que estamos vendo vai além do que pode ser explicado por pressão sanguínea, obesidade, colesterol, idade, fumo, níveis de açúcar no sangue e outros fatores de risco para doenças cardiovasculares", afirma Biing-Jiun Shen, professor assistente de psicologia na University of Southern Califórnia, em Los Angeles, e um dos líderes da pesquisa.

Segundo Shen, o papel da ansiedade vai elém dos efeitos de depressão, raiva, hostilidade e outras emoções negativas. "Esses fatores psicológicos são importantes na previsão dos riscos de doença cardíaca, mas a ansiedade é única."

Ansiedade constante
"Homens mais velhos, com ansiedade constante ao longo de suas vidas, parecem ter maior risco de doenças cardíacas mesmo depois de considerados os níveis de depressão, raiva, hostilidade e comportamento do Tipo A."

Na pesquisa, Shen e sua equipe analisaram dados de um estudo anterior, realizado para analisar mudanças médicas e psicológicas associadas à idade de um grupo de 735 homens inicialmente saudáveis.

Os homens foram testados psicologicamente em 1986, quando apresentavam boa saúde cardiovascular. Durante os 12 anos seguintes, os participantes passaram por exames médicos em média a cada três anos.

A equipe de Shen mediu a ansiedade em quatro níveis diferentes:

a primeira media as dúvidas excessivas, pensamentos obsessivos e compulsões irracionais;
a segunda media introversão social, insegurança e desconforto em situações interpessoais;
a terceira media fobias, e medo de animais, situações ou objetos;
e a quarta media a tendência a se sentir tenso e sensações físicas em situação de estresse.
Além disso, os testes mediram hostilidade, raiva, comportamento do Tipo A, depressão e emoções negativas.
Também foram levados em consideração os hábitos de saúde dos participantes, como fumo, consumo de álcool e dieta.
Segundo os cientistas, os homens cujas respostas se encontravam entre os 15% com maior nível de ansiedade - em qualquer um dos tipos, ou em todas elas combinadas - apresentavam risco de desenvolver doenças cardíacas de 30% a 40% mais alto do que os outros participantes.

Aqueles com níveis de ansiedade mais altos apresentavam riscos ainda maiores. A relação continuou mesmo depois de levados em consideração riscos padrões de doenças cardíacas, como hábitos de saúde e características da personalidade.

"A boa coisa da ansiedade é que ela é bastante tratável", disse Shen. "Se alguém for muito ansioso, se sofre de ataques de pânico, fobia social ou preocupações constantes, nós recomendamos terapia."

"Apesar de serem necessárias mais pesquisas, nós esperamos que, reduzindo a ansiedade, nós consigamos diminuir o risco futuro de doenças cardíacas", acrescentou o pesquisador. "Esta é mais uma razão para pedir ajuda."

O estudo, no entanto, não analisou os efeitos da ansiedade para doenças cardíacas em mulheres.

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