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17/01/2008 - 17h04

Nuvens de gelo projetam sombras e neve de CO2 sobre superfície de Marte

Da Efe
Em Madri
A sonda européia Mars Express detectou nuvens de gelo tão densas que projetam sombras e produzem neves de dióxido de carbono (CO2) sobre a superfície de Marte, disse à Agência Efe o cientista Agustín Chicarro.

O diretor-científico da missão, patrocinada pela Agência Espacial Européia (ESA), afirmou que os dados confirmam a presença de nuvens de dióxido de carbono que, junto com as mais conhecidas de vapor de água, formam o céu do planeta vermelho.

A descoberta é um passo importante no estudo do passado climático do quarto planeta do Sistema Solar, que sugere que este poderia ser muito mais quente há milhões de anos e fornece pistas para saber como aconteceu seu "resfriamento global".

O processo, inverso ao aquecimento da Terra, também permitirá comparar os dois fenômenos, mesmo sabendo que "as duas atmosferas são muito diferentes", ressaltou o cientista.

"Se um espectador estivesse na superfície de Marte, ao olhar a montante poderia admirar uma mistura de nuvens azuladas de vapor de água e outras amareladas de dióxido de carbono, estas últimas formadas por cristais de gelo deste composto", afirmou Chicarro.

Os pesquisadores observaram pela primeira vez que as nuvens de CO2 - mais freqüentes no equador do planeta - podem produzir "precipitações de neve", o que é "um fenômeno muito curioso" que não havia sido observado antes em nenhum outro planeta do Sistema Solar.

As imagens, obtidas pelo espectrômetro Ômega da Mars Express, também mostram que as nuvens estão em uma região muito alta - a mais de 80 quilômetros de altura - e causam uma redução do brilho do Sol sobre o planeta que poderia chegar a 40%.

Isto faz com que na zona de sombras a temperatura diminua até 10 graus Celsius a mais que nas proximidades, o que tem efeitos diretos sobre o tempo local, em particular nos ventos.

A formação das nuvens e o tamanho de seus cristais, que podem ser de mais de um micrômetro, é explicada pelas variações extremas na temperatura diária que ocorrem perto do equador de Marte.

O frio da noite e as altas temperaturas diurnas provocam correntes que fazem com que as bolhas de gás quente se elevem sobre a superfície.

"Quando estas bolhas chegam a zonas altas, se resfriam, e o dióxido de carbono se condensa sob a forma de partículas de gelo que vão aumentando de tamanho", explica Franck Montmessin, pesquisador do projeto.
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