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23/11/2009 - 17h40

Acelerador de partículas já faz prótons circularem em sentido oposto

Marta Hurtado

O Centro Europeu de Física Nuclear (Cern) avaliou hoje como "um grande êxito" que feixes de prótons já estejam circulando em direções opostas no maior acelerador de partículas do mundo, embora ainda se trate de testes em baixa velocidade.

 

"Podemos anunciar com grande entusiasmo que tudo está funcionando como previsto, em excelentes condições", afirmou em entrevista coletiva Steve Myers, um dos diretores responsáveis pelo acelerador, denominado Grande Colisor de Hádrons (LHC, em inglês).

 

 

AP
Os diretores do Cern German Rolf-Dieter Heuer (à direita) e Steve Myers Mais
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"Fizemos medições que normalmente são feitas em aceleradores várias vezes testados", acrescentou.

 

 

O LHC voltou a funcionar na última sexta-feira, com o lançamento de feixes em uma só direção, depois de 14 meses paralisado.

 

Durante esse tempo, foram reparados dois erros técnicos ocorridos em setembro de 2008, apenas nove dias depois da máquina entrar em operação em meio a uma grande expectativa da comunidade científica internacional.

 

O enorme acelerador, de 27 quilômetros de comprimento, está situado a 100 metros de profundidade no Cantão de Genebra (Suíça), na fronteira com a França.

 

"É o fim de 20 anos de esforços, e o princípio de outra nova e fascinante fase", afirmou hoje Fabiola Gianotti, porta-voz do Atlas, um dos quatro detectores de partículas do acelerador.

 

"Demos um grande passo, e foi um grande êxito. Agora começa a segunda parte da viagem", disse, por sua vez, Tejinder Virdee, porta-voz do CMS, segundo maior detector que compõe o LHC.

 

Apesar dos dois feixes estarem circulando em sentidos opostos, por enquanto não se chocaram e não é esperado que isso aconteça a curto prazo.

 

"Primeiro precisamos observar como eles circulam, e devemos identificá-los com absoluta certeza para podermos manipulá-los. Queremos proteger o acelerador e nos certificarmos de que o processo é seguro", explicou Myers.

 

"Vamos seguir passo a passo, faremos testes para comprovar que o LHC funciona perfeitamente. Faremos também as mudanças necessárias e, quando tivermos confiança total no acelerador, então faremos as colisões a alta velocidade", disse o diretor-geral do CERN, Rolf Heuer.

 

Quando o LHC funcionar em plena capacidade, será possível recriar os instantes seguintes ao "Big Bang", o que dará informações chaves sobre a formação do universo e confirmará ou não a teoria da física, baseada no Bóson de Higgs.

 

A existência dessa partícula, que deve seu nome ao cientista que há 30 anos previu sua existência, é considerada indispensável para explicar por que as partículas elementares têm massa e por que as massas são tão diferentes entre elas.

 

Myers especificou que a ideia é fazê-las alcançar 1.2 TeV (teraelétron-Volts) nas próximas semanas. Apenas em meados do ano que vem ela chegaria a 3.5 TeV.

 

"Esperamos que a 3.5 TeV já possamos observar algo novo, mas ainda não temos certeza disso", afirmou Gianotti.

 

"Pode ser que a essa velocidade já possam ser abertas novas janelas para a ciência. É o que todos esperamos, mas não podemos garantir", acrescentou Heuer.

 

O passo seguinte seria fazer testes a 7 TeV por feixe.

 

"A natureza é mais elegante que as suposições dos humanos, vamos deixar que ela nos surpreenda", disse Gianotti.

 

Para a construção do LHC foram investidos 12 anos de trabalho, cerca de 4 bilhões de euros, e o esforço combinado de 7 mil cientistas.

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