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27/07/2007 - 10h30

Variação acentuada de peso da mãe 'é perigosa para bebê'

BBC Brasil
Mulheres que engordam ou emagrecem muito entre uma gravidez e outra podem estar colocando a vida dos seus bebês em risco, segundo um artigo de dois médicos irlandeses publicado no British Medical Journal (BMJ).

Ao perder muito peso em um curto espaço de tempo, como muitas mães fazem atualmente logo depois de dar à luz, elas estariam prejudicando a saúde do seu próximo bebê.

Por outro lado, os especialistas advertem que um ganho acentuado de peso logo depois de ter um filho também é nocivo para o desenvolvimento de um outro feto.

Partos com o bebê morto, nascimentos prematuros, abortos espontâneos e pressão alta estão entre os possíveis efeitos de uma variação exagerada no corpo da mãe, de acordo com o alerta do BMJ.

Peso saudável

Os autores do estudo são a especialista em obstetrícia e ginecologia Jennifer Walsh, da divisão de um hospital especializado na saúde da mulher em Dublin, na Irlanda, e Deirdre Murphy, professor de obstetrícia da Universidade de Dublin.

Segundo Walsh e Murphy, as mulheres têm de tentar manter um peso saudável antes, durante e depois da gestação para dar às suas crianças um começo de vida com saúde.

"Mulheres em idade reprodutiva são bombardeadas com mensagens sobre dietas, peso e imagem corporal", alertaram.

"Há uma crescente preocupação com uma epidemia de obesidade, por um lado, e, do outro, com uma cultura que promove como desejável o 'tamanho zero', independentemente da constituição natural de uma mulher."

Os médicos dizem ainda que a gravidez é um dos períodos mais exigentes da vida de uma mulher do ponto de vista nutricional e que a oferta adequada de nutrientes é essencial para sustentar o bem-estar e o crescimento do feto.

Eles citam dois estudos que mostram os possíveis efeitos de flutuações extremas de peso.

O primeiro, feito na Suécia, consistiu em acompanhar mais de 200 mil mulheres entre 1992 e 2001 a fim de avaliar os impactos de mudanças no índice de massa corpórea (BMI, na sigla em inglês) na saúde da mãe e do bebê.

As mulheres que participaram do estudo foram acompanhadas do início da primeira gestação ao início da segunda.

A conclusão foi que o aumento de apenas uma ou duas unidades no BMI acarreta "taxas significativamente maiores" de pre-eclampsia, condição ligada à pressão alta durante a gravidez; aumento nos índices de diabetes entre as mães e maior risco de um bebê nascer com um peso acima do recomendável.

Uma pessoa com BMI superior a 25 é considerada "acima do peso"; quem tem mais de 30 já é considerado "obeso".

Um ganho de peso equivalente a três ou mais unidades de BMI aumenta "significativamente" os índices de natimortos, segundo os especialistas.

Segundo os médicos, o aumento de riscos é independente de as mulheres já estarem acima do peso.

Publicado no American Journal of Obstetrics and Gynaecology (Revista Americana de Obstetrícia e Ginecologia), o outro estudo citado pelos especialistas conclui que mulheres que emagreciam muito entre um filho e outro tinham mais chances de dar à luz prematuramente do que mulheres que aumentaram ou mantiveram seu peso.

A principal mensagem que querem passar, disseram os médicos, é que mulheres de peso médio devem evitar ganhar peso entre uma gravidez e outra.

Além disso, mulheres que estão acima do peso podem se beneficiar de uma perda de quilos antes de uma outra gravidez.

No entanto, destacam os autores, perdas de peso muito acentuadas devem ser evitadas por causa dos riscos de partos prematuros e do nascimento de bebês abaixo do peso recomendável.
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