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15/12/2007 - 10h15

Acordo de Bali 'é vitória dos países em desenvolvimento'

Eric Brücher Camara
Enviado especial a Bali (Indonésia)
Um dia depois da data prevista para o fim da reunião das Nações Unidas sobre mudança climática em Bali, os países em desenvolvimento conquistaram uma "vitória histórica".

Essa é a opinião de negociadores e observadores entrevistados pela BBC Brasil, depois das negociações deste sábado, que culminaram com a aprovação de um documento que vai nortear as discussões sobre um novo acordo para o combate ao aquecimento global.

"A grande liderança mostrada pelo G77 (o grupo que reúne os países em desenvolvimento na convenção da ONU para mudança climática) foi um fato histórico", afirmou o coordenador de Políticas Públicas do WWF-Brasil, Mauro Armelin.

Os momentos decisivos da negociação do "mapa do caminho de Bali"
aconteceram na manhã deste sábado, depois de discussões para resolver um impasse entre os Estados Unidos e a União Européia que vararam a madrugada.

Objeção

A pressão dos países em desenvolvimento começou cedo no sábado, quando Índia e China se opuseram à versão do texto que tinha sido apresentada no início da plenária.

Depois de conquistar o apoio da União Européia, e com os Estados Unidos isolados como único país a se recusar a participar do consenso, uma série de intervenções de países em desenvolvimento levou a uma reviravolta no processo, com os americanos voltando atrás e aprovando o texto.

"Foi uma grande vitória dos países em desenvolvimento. O grupo dos 77 fez valer a sua grande maioria", afirmou o negociador-chefe do Brasil, embaixador Everton Vargas.

Na análise da organização ambientalista Greenpeace, o governo de George W. Bush "foi humilhado" pelos países em desenvolvimento.

"A administração Bush levou uma lição de humildade e foi envergonhada pela firme decisão dos países em desenvolvimento - China, Índia, Brasil, África do Sul - que vieram a Bali com propostas concretas para dar a sua participação nos esforços globais contra o aquecimento global", disse Ailun Yang, do Greenpeace chinês.

Clímax

Logo no início da sessão, China e Índia apresentaram uma objeção à introdução do documento, que previa reduções de emissões de gases poluentes que "poderiam comprometer o crescimento dos países em desenvolvimento".

Depois de uma longa pausa na plenária, o presidente da Indonésia, anfitrião do encontro, e o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, discursaram, lembrando os participantes das responsabilidades e da visibilidade das decisões que seriam tomadas em Bali.

Em seguida, a chefe da delegação dos Estados Unidos, Paula Dobriansky, afirmou que não aceitaria qualquer mudança no texto - e foi vaiada por grande parte do auditório, que reunia representantes de cerca de 190 países.

O que se seguiu, foi uma série de discursos de representantes, entre eles um duro recado do representante sul-africano. Logo depois, Dobriansky voltou a pedir a palavra e capitulou:

"Vamos seguir em frente e nos juntar ao consenso", disse Dobriansky, arrancando aplausos da plenária.

O que se seguiu foram cenas de emoção raramente vistas em reuniões da ONU, com aplausos e delegações se abraçando em comemoração por um acordo que tem o potencial de determinar o futuro do planeta.
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