UOL Ciência e SaúdeUOL Ciência e Saúde
UOL BUSCA
[selo]

07/02/2008 - 14h44

Países arrecadam 500 vezes mais com cigarro do que gastam com ações antitabagistas

Da BBC Brasil
Os governos do mundo todo arrecadam em média 500 vezes mais com os impostos sobre o cigarro do que gastam com ações antitabagistas, afirma um relatório sobre a epidemia global do tabaco divulgado nesta quinta-feira pela OMS (Organização Mundial da Saúde).

O levantamento, realizado em 179 países, indica que a receita com os impostos sobre o fumo chega a ser 4 mil vezes maior do que os gastos com o controle do consumo nos países de renda média e 9 mil vezes maior nas nações de baixa renda.

A proporção é menor nos países mais ricos, onde os impostos sobre o cigarro totalizam uma quantia 340 vezes maior do que os gastos em ações contra o fumo.

Segundo a OMS, a principal medida para reduzir o consumo de tabaco seria aumentar os impostos sobre o produto.

"Aumentar o preço do tabaco ao elevar os impostos é o modo mais eficaz de diminuir o consumo e incentivar as pessoas a deixar de fumar", diz o documento. O relatório ressalta que um aumento de 70% no preço do tabaco poderia prevenir até 25% das mortes relacionadas ao fumo.

Estratégias
Além do aumento de impostos, o relatório sugere ainda um pacote de estratégias que poderiam ser adotadas pelos governos para controlar o consumo de tabaco.

Intitulado "MPower", o pacote tem como principais medidas monitorar o uso do tabaco e as políticas de prevenção, proteger a população da fumaça do tabaco, oferecer ajuda para aqueles que decidem parar de fumar, alertar sobre os perigos do tabaco, reforçar as proibições de anúncios e propagandas e, finalmente, aumentar os impostos ao tabaco.

Segundo a OMS, as medidas são simples e podem ser adotadas por todos os países. "Embora os esforços para combater o tabaco estejam ganhando força, todos os países precisam fazer mais", afirma Margareth Chan, diretora-geral da OMS.

"As estratégias que oferecemos estão ao alcance de todos, pobres ou ricos, e, usadas como um pacote, oferecem a melhor chance para reverter a epidemia do tabaco", acrescenta Chan.

Epidemia
O relatório também descreve os esforços e as políticas contra o tabagismo em todos os países membros da ONU (Organização das Nações Unidas).

Segundo o levantamento, atualmente nenhum país cumpre com todas as medidas especificadas no pacote sugerido pela OMS, tampouco as estipuladas pelo Tratato Internacional do Tabaco, de 2005. O documento ressalta ainda que apenas 5% da população mundial vive em países que respeitam pelo menos uma das estratégias sugeridas pela organização.

O relatório aponta também uma mudança no padrão da epidemia do tabaco.

Segundo a OMS, a epidemia vai atingir mais os países em desenvolvimento, e as estimativas apontam que, de um total de 175 milhões de mortes relacionadas ao fumo previstas até 2030, 80% devem atingir pessoas em países em desenvolvimento.

De acordo com a OMS, as empresas tabagistas têm como principal alvo os jovens destes países.

Brasil
Os esforços do governo brasileiro para combater o consumo de tabaco são destacados pelo documento. Entre as principais iniciativas, a OMS ressalta as fotos impressas nas embalagens de cigarro como "uma importante fonte de informação para fumantes jovens e para analfabetos".

O documento ainda afirma que o governo começou a financiar os tratamentos para os que decidem parar de fumar em 2004.

Segundo o relatório, entre 2004 e 2006, 22 dos 27 Estados brasileiros ajudaram 50 mil pessoas a largar o vício - das quais 45% usaram medicamentos e 40% continuaram sem fumar depois de quatro semanas.

Apesar disso, diz a OMS, o preço do maço de cigarro no Brasil é o segundo menor das Américas, acima apenas do preço cobrado no Paraguai.
Fale com
UOL Ciência e Saúde

Compara e acha o menor preço

- Câmeras Digitais
- Notebooks - TV LCD - GPS - Auto MP3

UOL Ciência e Saúde no Twitter

Hospedagem: UOL Host