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07/03/2007 - 13h34

Cólera mata quatro pessoas por dia em Angola

Luanda, 07 Mar (Lusa) - A epidemia de cólera mata em média quatro pessoas por dia em Angola este ano, segundo relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) a que a Agência Lusa teve acesso.

Com dados referentes ao período de 1 de janeiro a 4 de março, o relatório da OMS dá conta de 8.707 casos de cólera em Angola, que provocaram 263 mortos.

Estes resultados apontam para uma média de quatro mortes por dia desde o início do ano, sendo a média diária de casos superior a 130.

Em 2006 registaram-se 71.123 casos com um total de 2.814 mortos. Com os casos deste ano até 4 de março, a epidemia de cólera cheg a aos 79.830 casos e ultrapassa os três milhares de mortos, mais concretamente 3.077.

O pico da epidemia foi atingido na semana de 24 a 30 de abril de 2006, período em que foram registados mais de 6 mil novos casos da doença.

A partir dessa altura, a epidemia apresentou uma tendência decrescente, que se acentuou a partir do início de junho, quando o número de casos semanais passou a ser inferior a 2 mil, descendo para menos de mil no mês seguinte.

A situação inverteu-se em meados de outubro, com um aumento do número de casos devido ao início da época das chuvas em Angola.

Província

A província do Cuanza Sul lidera a lista de mortes em 2007, com 95 vítimas, e uma taxa de mortalidade bastante superior à do resto do país, acima de 20%, números que são contestados pelo diretor provincial de Saúde, Adão Castelo.

Em declarações à Agência Lusa, Castelo afirmou que os números da OMS "não são reais", tendo até já solicitado à organização que mande uma equipe ao local.

"Esses dados foram mal concebidos, por isso já convidei até uma equipe da OMS e dos Médicos Sem Fronteiras para virem ao Cuanza Sul verem a real situação", afirmou Adão Castelo.

O porta-voz da OMS em Luanda, José Caetano, afirmou à Lusa que os dados são enviados pela equipe permanente que a organização tem em cada província, que os recebe dos "técnicos de vigilância epidemiológica".

A mesma fonte acrescentou que o contato do chefe da sua equipe no terreno não só confirmou os números constantes no relatório da OMS, como ainda revelou não ter conhecimento das dúvidas em relação aos dados levantadas pelo diretor provincial de Saúde do Cuanza Sul.

No entanto, José Caetano não deixou de alertar para "as dificuldades de recolha de informação em tempo hábil" de todas as 18 províncias de Angola para atualizar os relatórios diários sobre a epidemia elaborados pela OMS.

Na província de Luanda registraram-se 50 mortes em 2.842 casos, enquanto na província de Benguela houve 40 óbitos em 1.916 casos registados no mesmo período.

O governo angolano e a OMS declararam em fevereiro de 2006 a existência de uma epidemia de cólera em Luanda.

Depois de ter alastrado a todos os municípios de província de Luanda, a epidemia chegou às províncias de Benguela, Bengo e Cuanza Norte, tendo posteriormente atingi do também Malange, Huambo, Cuanza Sul e Bié.

A cólera chegou depois às províncias da Huíla, Zaire, Uíge, Lunda Norte , Cabinda, Namibe e Cuando Cubango, enquanto a província do Cunene foi a última a ser atingida.
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