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10/07/2007 - 08h32

Ambientalista luso defende que China tem solução ambiental

Da Lusa, em Pequim
Mais do que a causa, o desenvolvimento chinês poderá ser a resposta para os problemas ecológicos que o mundo enfrenta, afirmou nesta terça-feira o ambientalista português Carlos Frescata, que acaba de editar o livro "Green China", sobre proteção ambiental na China.

"A China tem o potencial para se tornar numa potência mundial do desenvolvimento sustentável se, no seu épico processo de modernização, agarrar a oportunidade e optar por sistemas do futuro que sejam exemplares em termos ambientais", disse Frescata, um dos pioneiros do movimento ambientalista português.

Doutorado em Agronomia e fundador da Liga para a Proteção da Natureza, o ambientalista se classifica como "um otimista" ao pensar no futuro da proteção ambiental da China e o livro que editou, contando com ensaios e contribuições de acadêmicos chineses e europeus.

"O objetivo do livro é demonstrar como a China vai influenciar o mundo, como o próprio lado negativo do crescimento chinês pode ser positivo, algo que se nota nas questões energéticas", afirmou Frescata.

A conseqüência da expansão econômica superior a 10% que a China registra e a competição chinesa por recursos energéticos da África ao Oriente Médio, para o ambientalista, vai levar o mundo desenvolvido a repensar os seus modelos de crescimento econômico.

"A China tem a mesma legitimidade de buscar e seguir o mesmo sistema de desenvolvimento que o Ocidente, mas, ao fazê-lo, dado o seu tamanho, vai necessariamente mudar o próprio sistema. O primeiro efeito positivo será obrigar o Ocidente a repensar o seu próprio modelo de desenvolvimento e torná-lo mais sustentável", afirmou.

"Nunca se falou tanto em conservação energética desde que a China começou a competir por recursos energéticos com os países desenvolvidos."

De uma forma mais direta, de acordo com Frescata, o tamanho do mercado chinês e a capacidade econômica do país permite tornar viável a introdução no mercado de novas tecnologias ambientais.

"A China tem mercado para exigir tecnologias ambientais a quem as tem e tamanho para criar a massa crítica para a produção em massa e disseminação dessas tecnologias. Os chineses podem, por isso, pôr em prática projetos que até agora não passavam do papel" afirmou o ambientalista.

Frescata acredita que a China poderá, no futuro, estar na linha da frente da proteção ambiental, por meio de projetos como Dongtan, a primeira cidade ecológica do mundo, que a China vai inaugurar em 2010 na ilha de Chongming, em Xangai, o centro econômico e financeiro das China.

Dongtan, um projeto de uma empresa de arquitetura britânica, é a tentativa de provar que a utopia ambiental pode existir na realidade. A cidade, a primeira de quatro que a China quer criar, vai ter zero emissões para atmosfera de gases de efeito estufa, causadores do aquecimento global, e será auto-suficiente em termos de abastecimento de água e energia, utilizando edifícios que produzem tanta energia quanto consomem.

Cidades como Dongtan, no entanto, não fazem a proteção ambiental na China, cujo objetivo principal é ainda o crescimento econômico no curto prazo, que leva ao aumento da poluição e que fez o vice-ministro do meio ambiente do país admitir recentemente que "o equilíbrio ecológico chinês está perto do ponto de ruptura".

O governo chinês vem aumentando cada vez mais a retórica da proteção ambiental e da maior eficiência energética, mas admitiu já que não vai conseguir cumprir o objetivo de aumentar a eficiência energética do país em 20% até 2010.

Ainda assim, o livro de Frescata, que estuda os processos de desenvolvimento sustentável com bom desempenho na China, principalmente na área rural, se considera "construtivo". "O que o Green China quer dizer é que a retórica de Pequim relativa ao desenvolvimento sustentável não tem de ser só retórica. Pode ser posta em prática, quer no país quer no resto do mundo."
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