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23/08/2007 - 15h42

Falta de médicos dificulta luta contra Aids na Guiné-Bissau

Por Marta Clemente, da Agência Lusa
A falta de médicos e enfermeiros é um dos principais problemas que a Guiné-Bissau enfrenta na luta contra a Aids, num país onde os jovens começam a deixar de lado os preconceitos e a aderir ao preservativo.

"Faz falta tudo, mas temos mais dificuldade é com os recursos humanos porque muita gente deslocou-se para fora do país", disse o médico Adamou Djibo à Agência Lusa.

Trabalhando em um posto de saúde em Bissau, capital do país, Djibo vai coordenar o Centro de Aconselhamento e Combate ao vírus da Aids, que será criado pela organização não-governamental portuguesa Intercooperação e Desenvolvimento (Inde).

"É um projeto muito ambicioso. Numa primeira fase, vou trabalhar com uma assistente social, que já leva mais de 20 anos no serviço de saúde. Mais tarde, e se o fluxo de trabalho for muito mais ativo, iremos contratar mais pessoal", disse.

Experiência

Adamou Djibo falou à Agência Lusa no final de uma visita de 15 dias a Portugal. O médico aproveitou para conhecer vários centros da Santa Casa da Misericórdia, postos de saúde e as instalações do Programa Nacional de Luta contra a Aids.

O objetivo foi a troca de práticas e experiências na luta contra o HIV que possam levar a colaborações e a partilha de recursos.

"Ganhei experiência, fiquei com uma idéia de como se trabalha aqui. Há alguma diferença em relação à Guiné-Bissau porque Portugal tem muitos mais meios, mas o trabalho é quase similar", afirmou.

Apesar de não saber determinar o número de pessoas infectadas com o HIV na Guiné-Bissau, Adamou Djibo salientou que a situação no país "é preocupante".

"Há muita promiscuidade e o principal foco de contaminação é o sexual. Nas televisões e na rádio estão sendo feitas campanhas pela utilização do preservativo e de prevenção ao HIV. Também fazemos palestras e cartazes onde se explica como utilizar o preservativo", explicou.

O médico ressaltou o fato de os jovens guineenses estarem começando a utilizar o preservativo. "Já há muitos jovens aderindo, isso é um bom sinal. Tomaram consciência de que têm de se prevenir".

Trabalho

Adamou Djibo trabalha com a Inde há cerca de dois anos, quando começou a prestar gratuitamente assistência médica a crianças de rua acolhidas pela ONG.

Além de coordenar o Centro de Aconselhamento e Combate, o médico será também o responsável pela formação de uma equipe de apoio domiciliar a pessoas com HIV, que vivem em Bissau.

Ambos os projetos se inserem no programa "Apoio à Vida Contra a Aids" que a Inde desenvolve na Guiné-Bissau e que foi premiado em julho pela Fundação Glaxo Smith Kline.

A Guiné-Bissau mantém-se como um dos países mais pobres do mundo, caindo para o 173º lugar no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) entre 2000 e 2004. Segundo a Ong, "o profundo desconhecimento em relação ao HIV e à Aids" estimulou uma "intervenção urgente" no país.
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