UOL Ciência e SaúdeUOL Ciência e Saúde
UOL BUSCA

06/12/2007 - 15h10

UE quer que países ricos liderem negociação climática

Por Pedro Rosa Mendes, da Agência Lusa em Denpasar
O principal representante da União Européia (UE) na conferência de Bali, Nuno Lacasta, afirmou que "os países desenvolvidos devem liderar" as negociações para o futuro climático após 2012, quando expira o Protocolo de Kyoto, com redução de emissões de gases a curto-prazo.

As declarações surgem em resposta a críticas das grandes economias em desenvolvimento, como a China e a Índia, e de relatórios apresentados em Bali sobre os riscos da proposta da UE para uma redução das emissões de gases causadores do efeito estufa.

"A posição da UE é muito clara: os países desenvolvidos devem absolutamente liderar as negociações do futuro regime climático", disse Lacasta à Agência Lusa.

"Não dissemos que estamos aqui para acordar o futuro regime, mas apenas para lançar o diálogo com vista a ter, até 2009, um acordo abrangente para depois de 2012", afirmou o chefe da delegação portuguesa.

Nuno Lacasta é o principal negociador de Bruxelas na 13ª Conferência Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, uma vez que Portugal ocupa atualmente a Presidência rotativa da UE.

Compromisso

Estudos de impacto econômico e declarações de delegados e organizações dos países em desenvolvimento têm acusado a UE de propor em Bali medidas que teriam conseqüências "devastadoras" nas economias do sul, por impedirem o seu crescimento.

"A própria participação no Protocolo de Kyoto tem demonstrado que é possível reduzir as emissões sem comprometer o crescimento econômico", afirmou o representante da UE.

Segundo o coordenador do Comitê Executivo da Comissão de Alterações Climáticas em Portugal, "entre os países desenvolvidos, devem ser feitos esforços comparáveis".

"Não vejo que esta posição seja demasiado extremista", disse Nuno Lacasta. "Creio, pelo contrário, que é isso que os países em desenvolvimento esperam dos países desenvolvidos", acrescentou.

Eficiência

Nuno Lacasta defendeu um mecanismo que "possibilite a participação de todos por meio de contribuições". "Devemos todos ter a capacidade de construir consensos para poder fazer o que interessa".

"Quanto mais exigentes forem os objetivos, mais alto fica o preço do carbono e mais depressa e de forma eficiente se pode fazer entrar tecnologias inovadoras no mercado", afirmou.

Como exemplo, disse que "há um conjunto de tecnologias já disponíveis que podem e devem entrar no mercado a custo zero ou a custo negativo, no sentido em que é muito fácil amortizá-las".

"Há tecnologias absolutamente eficientes e acessíveis que permitem reduzir emissões e trazem outros benefícios ambientais, como a qualidade do ar", afirmou.

"Mas há outro tipo de tecnologias que precisam ser incentivadas para poder competir com a penetração no mercado de combustíveis fósseis como o petróleo, o gás natural e até o carvão", acrescentou o chefe da delegação portuguesa.

Portugal

Nuno Lacasta disse que Portugal é atualmente "um exemplo de penetração de energias renováveis".

Recentemente, o primeiro-ministro português, José Sócrates, anunciou que os 14% de utilização de energias renováveis até 2010 pode ser aumentado a partir dessa data para 45%.

O representante da UE em Bali ressaltou também que o emprego de fontes renováveis de energia contribuiu para o desenvolvimento de um setor que "não existia". "Talvez seja a área econômica que mais tem crescido em Portugal e que tem criado mais emprego", disse.
Fale com
UOL Ciência e Saúde

Compara e acha o menor preço

- Câmeras Digitais
- Notebooks - TV LCD - GPS - Auto MP3

UOL Ciência e Saúde no Twitter

Hospedagem: UOL Host