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10/12/2007 - 16h09

Pesquisadores lusos estudam tipo de câncer de pulmão

Da Lusa
Em Coimbra
Quem vive perto de estradas ou fábricas desenvolve um tipo específico de câncer do pulmão que está sendo estudado por pesquisadores da Universidade de Coimbra para estabelecer estratégias preventivas e de tratamento da doença.

O estudo, desenvolvido há um ano e meio sob coordenação da Maria Cármen Alpoim, do Departamento de Bioquímica da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), está centrado no estudo dos mecanismos do câncer do pulmão provocado por inalação de cromo hexavalente.

Uma nota do gabinete de imprensa da FCTUC afirma que o estudo dos mecanismos de evolução das células para a fase maligna, por meio de múltiplas técnicas de biologia molecular, os pesquisadores pretendem "estabelecer estratégias profiláticas e técnicas de tratamento capazes de impedir o avanço deste tipo de câncer".

"Há uma relação direta entre a inalação de nanopartículas de cromo hexavalente e o desenvolvimento do câncer do pulmão. É um subtipo específico de câncer de pulmão com características genéticas diferentes do câncer dos fumantes", afirma Maria Cármen Alpoim.

O estudo, intitulado "mecanismos de indução do câncer de pulmão pelo cromo hexavalente", está sendo realizado em "linhas celulares não tumorais" e consiste em "mimetizar as condições ambientais" por meio da exposição a baixas e continuadas concentrações de cromo hexavalente.

Pesquisa

A exposição ocupacional (trabalhadores de indústrias de curtumes ou metalúrgicas) e não ocupacional (áreas próximas à queima de resíduos perigosos e de combustíveis fósseis), como é o caso de uma via de grande circulação de veículos, são condições ambientais que os pesquisadores consideram propícias para o desenvolvimento de patologias cancerígenas.

Atualmente, os pesquisadores estão iniciando uma segunda fase do projeto, que é a implementação in vitro do "processo de malignização", ou seja, na procura de um modelo que permita definir marcadores específicos para as diversas fases das mutações que vão gerar a doença, explicou à Agência Lusa a pesquisadora.

Maria Cármen Alpoim realçou que o padrão genético deste carcinoma é diferente dos do tabaco e amianto, embora a parte afetada do pulmão seja semelhante. "Se tem um mecanismo de desenvolvimento diferente, o tratamento terá de ser também diferente", disse.

A opção por prosseguir a investigação com testes in vitro foi tomada pelo fato de os animais utilizados em laboratório (ratos) não serem semelhantes aos humanos em termos respiratórios.

Aplicação

Para a pesquisadora, este trabalho centrado na área da saúde deverá ser acompanhado por outros que visem diminuir os efeitos de risco, como nas fábricas com o tratamento de resíduos e a exposição dos trabalhadores nas fases de fabricação, nas emissões dos carros e no destino final de resíduos industriais depositados em aterros.

"Há necessidade de uma vigilância e controle constantes dos índices de cromo nas indústrias e nas suas áreas envolventes", afirmou Cármen Alpoim.

A pesquisa tem sido realizada em colaboração com a Faculdade de Medicina de Coimbra e com a Universidade de Barcelona, onde um estudante português faz doutorado em internalização do cromo nas células.
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