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27/04/2009 - 10h51

Médico português prevê pandemia e vacina da gripe suína

Da Lusa
Em Lisboa
Uma pandemia de gripe suína é inevitável em termos mundiais, mas a existência de um vírus do mesmo subtipo (H1N1) na população humana lhe dá maior proteção e permitirá produzir uma vacina em poucos meses, defende Pedro Simas, diretor da Unidade de Patogênese Viral do Instituto de Medicina Molecular (IMM) da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa.

"Trata-se de um vírus de tipo A, cujo subtipo H1N1 saltou a barreira da espécie, passando do porco ao homem devido a uma alteração genética recente para a qual não há ainda explicação", disse.

"Isso faz com que tenham passado a existir nos humanos dois subtipos do vírus, um de estirpe humana e outro de estirpe suína", acrescentou.

A situação é diferente do que tem acontecido nos últimos anos com o H5N1 (da gripe aviária), um subtipo completamente diferente que não existe nos humanos e que, ao passar das aves para o homem, não se adaptou e nunca se propagou entre seres humanos.

"Ao contrário disso temos agora um subtipo que já existe nos humanos, mas é de estirpe diferente e que saltou para o homem e se adaptou, podendo por isso propagar-se de pessoa para pessoa", disse.

Por isso, "esta estirpe vai tornar-se pandemica e isso, na minha opinião, é incontornável", afirmou Simas. "Mais cedo ou mais tarde vai afetar toda a gente e vai espalhar-se a nível global".

Impacto menor

No entanto, sendo o vírus do mesmo subtipo, o cientista considera que "não terá um impacto muito grande", em comparação com as pandemias anteriores, como a gripe de Hong Kong, que resultaram de subtipos novos que apareceram.

"Agora estamos antigenicamente melhor preparados porque já circula na população humana o subtipo H1N1 e estou mais otimista em relação ao impacto que poderá ter, porque, ao propagar-se nos humanos, o vírus adapta-se mais e perde virulência", insistiu.

Outro motivo de otimismo, na perspectiva do médico, é o fato de estarmos no fim da época da gripe no hemisfério norte e se poder preparar melhor a próxima época do vírus, depois do verão.

"Os vírus da gripe não desaparecem de repente", afirmou. "Uma vez entrado na população humana não vai desaparecer e se não causar muita perturbação agora, causará no próximo ano".

Vacina

Além disso, Simas não tem dúvidas de que será produzida uma vacina em poucos meses, embora "não em quantidade suficiente para imunizar toda a gente".

"Vai haver vacina, mais cedo ou mais tarde, porque é um subtipo com o qual podemos trabalhar bem, e vamos ter algum tempo para preparar a próxima época", afirmou.

Por outro lado, a tendência evolutiva não será o vírus sofrer mutações e tornar-se mais virulento, mas o contrário, já que à medida que for passando de pessoa a pessoa se tornará menos perigoso.
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