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07/07/2009 - 14h40

Português pesquisa vacina do HIV e cura de inflamações

Por Cristina Fernandes Ferreira
Da Agência Lusa
Especializado em química biológica, o português Gonçalo Bernardes surge, aos 29 anos, ligado às investigações das vacinas do HIV e malária. Depois de Oxford e Zurique, o cientista vai pesquisar em Portugal o uso de monóxido de carbono no tratamento de inflamações.

Natural de Torres Vedras, Gonçalo Bernandes é licenciado em Química pela Faculdade de Ciências de Lisboa e doutorado em Química Biológica pela Universidade de Oxford, Reino Unido, onde chegou em 2003.

Em Oxford, integrou o grupo do professor Ben Davis, que pesquisa novos métodos para a manipulação e síntese de proteínas e açúcares, mantendo-se ainda atualmente como pesquisador convidado deste grupo, colaborando ativamente com a International Aids Vaccine Initiative (IAVI).

"A química que desenvolvemos em Oxford permite a construção de conjugados (grupos) de proteínas homogêneos e está a ser aplicada no estudo de processos biológicos, como a regulação genética ou a construção de vacinas", disse Gonçalo Bernardes à Agência Lusa.

"As estratégias atuais para o desenvolvimento de conjugados de vacinas resultam numa mistura heterogênea, que é depois a base para estudos imunológicos. Basicamente, é uma grande misturada. Queremos ter acesso a essas vacinas de uma forma pura, homogênea para compreendermos a relação entre a estrutura e a resposta imunitária", ressaltou, lembrando que a técnica se aplica de igual forma à vacina do HIV ou da malária.

"O que estamos a tentar produzir em laboratório é um espaço muito específico numa certa zona da proteína, modificá-la e introduzir as moléculas de modo a obter uma resposta imunológica muito melhor", explicou.

Percurso

Depois de Oxford, Gonçalo Bernardes integrou o grupo de investigação que criou, em 2002, a vacina da malária, liderado pelo professor Peter Seeberger, do Laboratório de Química Orgânica do Instituto de Tecnologia de Zurique.

"A química que desenvolvi em Oxford esta a ser usada de modo a criar uma vacina (da malária) análoga e pura, mas mais potente", disse.

Sobre a possibilidade de obter uma vacina eficaz contra o HIV nos próximos anos, o cientista lembra que estes processos são "muito longos" e que é impossível avançar uma data.

Após uma passagem curta por Berlim, o cientista está de regresso a Portugal para integrar a equipe de pesquisadores da recém-criada empresa de biotecnologia Alfama, que desenvolve compostos biofarmacêuticos para fins terapêuticos à base de monóxido de carbono (CO) no tratamento de inflamações.

Apesar de considerar que não é regra ter que sair de Portugal para conseguir fazer investigação, Gonçalo Bernardes lembrou as dificuldades que sentiu quando chegou a Oxford e percebeu que a sua formação "era fraca", quando comparada com os demais pesquisadores.

Segundo o cientista, tanto quer seja em Portugal como no exterior, a chave do sucesso passa por "trabalhar muito, ter humildade para fazer perguntas e ouvir o que as outras pessoas têm para ensinar".

Para o futuro, o grande projeto é criar o seu próprio grupo de investigação na área da modificação de proteínas aplicada à criação de vacinas.

Gonçalo Bernardes foi um dos portugueses residentes no estrangeiro nomeado para a edição deste ano dos Prêmios Talento, promovidos pela secretaria de Estado das Comunidades.
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