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14/09/2005 - 21h02
Pivô do 'mensalão' foi da tropa de choque de Collor

Da Redação
Em São Paulo

Militante da tropa de choque do ex-presidente Fernando Collor, ex-participante de um programa popular de TV e pivô do escândalo do "mensalão", o deputado federal Roberto Jefferson Monteiro Francisco, 52, (PTB-RJ) em outros momentos conseguiu sobreviver ao crivo de CPIs.

Adriano Machado - 13.set.05/Folha Imagem 
O deputado Jefferson, que revelou o suposto esquema do "mensalão"
Em 1993, seu nome foi citado entre os envolvidos no esquema de propina na Comissão de Orçamento, mas escapou de punições.

Esse fluminense da cidade de Petrópolis, formado em direito, começou sua carreira política em 1971, quando se filiou ao MDB, partido de oposição ao governo durante a ditadura. Militou no MDB até 1979 e, depois, até 1980, fez uma breve passagem pelo PP. Em 1982, integrou-se ao PTB, legenda em que está até hoje.

Jefferson iniciou em 2003 seu sexto mandato como deputado federal. Os períodos anteriores foram: 1983-1987, 1987-1991, 1991-1995, 1995-1999, 1999-2003, todos pelo PTB. Em 2003, acumulou as funções de presidente do PTB, cargo do qual está licenciado agora.

O petebista denunciou, em entrevista publicada pela Folha em 6 de junho, que congressistas aliados recebiam dinheiro do governo -R$ 30 mil mensais em troca de apoio às propostas governistas. O deputado disse que o suposto esquema era conhecido como "mensalão".

Segundo Jefferson, o dinheiro do "mensalão" vinha de estatais e de empresas privadas e chegava a Brasília "em malas" para ser distribuído em ação comandada pelo então tesoureiro do PT, Delúbio Soares, com a ajuda de "operadores" como o publicitário Marcos Valério e o líder do PP na Câmara, José Janene (PR).

Antes da entrevista, Jefferson foi citado em uma gravação em que o ex-diretor do Departamento de Contratação e Administração de Material dos Correios Maurício Marinho detalha o funcionamento de um suposto esquema de corrupção nos Correios.

Na fita, o ex-funcionário afirmou que trabalhava com o aval do presidente do PTB e de outro ex-diretor da empresa, Antônio Osório Batista. Na época, o presidente Lula disse que confiava tanto em Jefferson que lhe daria "um cheque em branco".

O dinheiro arrecadado com o esquema de corrupção seria usado pelo dirigente do PTB para engordar o caixa do partido, de acordo com as denúncias.

A fita, divulgada pela revista Veja, iniciou a crise na estatal e teve como conseqüência a criação da CPI dos Correios.

Jefferson também foi citado em outra denúncia, sobre um suposto pedido de desvio de R$ 400 mil do IRB (Instituto de Resseguros do Brasil).

Governo Collor

O deputado que fez as denúncias foi militante da tropa de choque do presidente Fernando Collor, que renunciou também após acusações de corrupção, e sobreviveu a momentos turbulentos da política nacional. Além do processo de impeachment de Collor, resistiu à outra CPI, a do Orçamento.

Em 1993, seu nome foi citado entre os envolvidos no esquema de propina na Comissão de Orçamento. Em 1994, durante depoimento, Jefferson chorou por duas vezes, lamentando o fato de sua família ter sido exposta.

No relatório, foi incluído na lista de 14 parlamentares sobre os quais seria necessária maior investigação. A conclusão era que, com crédito total de US$ 470 mil em cinco anos, seu patrimônio e movimentação bancária seriam compatíveis com o rendimento. A Subcomissão de Patrimônio teria constatado, porém, a existência de bens não declarados à Receita.

Governo FHC

No governo Fernando Henrique Cardoso -para o qual fez indicações, como a do titular da Delegacia do Trabalho do Rio-, Jefferson teve papel fundamental para o rompimento do PSDB com o PFL: no prazo fatal, o então líder do PTB formalizou um bloco com a bancada tucana, permitindo que o deputado Aécio Neves (MG) concorresse à presidência da Câmara, vaga prometida ao pefelista Inocêncio Oliveira (PE).

Até a eleição de Lula, comparava petistas ao demônio. Depois da vitória do petismo, disse que, apesar das diferenças, PTB e PT se uniriam "com afeto". A partir daí, fixou uma estratégia: aceitar cargos pouco expressivos para crescer dentro do governo e poder exigir mais.

Com o crescimento da bancada, Roberto Jefferson começou a exigir mais e a se queixar publicamente do não-atendimento das reivindicações.

"Troglodita"

Jefferson conquistou notoriedade como advogado de pobres no popular "O Povo na TV", na década de 80. Armado e com 170 quilos, Jefferson admite: "Era um troglodita".
Hoje, mesmo com a redução do estômago e as aulas de canto, reage quando pedem calma: "Mudei. Mas não virei Mary Poppins". Ele disse que, se for cassado, vai se tornar cantor.



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