UOL Últimas NotíciasUOL Últimas Notícias
UOL BUSCA


 

20/09/2005 - 19h20
Doleiro "pequeno", Barcelona foi ligado a ex-delegado da PF

Por Áureo Germano

BRASÍLIA (Reuters) - Estrela dos depoimentos desta terça-feira nas CPIs que investigam as denúncias de corrupção, o doleiro Antônio Oliveira Claramunt, o Toninho da Barcelona, é considerado pelos investigadores que apuram crimes contra o sistema financeiro nacional como um doleiro de porte médio.

"Há muita mistificação em torno de sua figura", disse à Reuters por telefone o procurador federal Wladmir Aras, que investiga o caso juntamente com a Polícia Federal.

Barcelona é responsável pela movimentação de aproximadamente 400 milhões de dólares. Embora a quantia seja vultuosa, há registros de doleiros que estão com seus nomes sob sigilo que, segundo Aras, teriam movimentado individualmente mais de dois bilhões de dólares.

"O Toninho é um doleiro pequeno", avaliou Aras.

A informação foi confirmada à Reuters por um delegado da PF que integra o grupo de investigações dessas remessas. O policial pediu para não ter sua identidade revelada para não comprometer os trabalhos de inteligência que estão em andamento em Estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. "Dado o montante de recursos movimentados, a participação de Toninho é bem modesta", afirmou a fonte.

Para Aras, não existem novidades nas acusações levantadas por Toninho às CPIs. Até agora, segundo afirma, não existem provas contundentes das alegações dele aos parlamentares quanto ao envolvimento de parlamentares e de partidos políticos nos envios ilegais de recursos.

"Não há nenhum indício desse tipo de envolvimento nos crimes. Mas isso não é o objeto de nossa investigação", argumentou o procurador.

Para o Ministério Público Federal, Barcelona poderá contribuir com as CPIs à medida em que auxiliar os investigadores a decifrarem os dados contidos tanto em sua contabilidade oficial, quanto na paralela.

"Por ora, suas declarações não têm fundamento. O que vai auxiliar (as investigações) será a sua boa-vontade em contribuir decifrando dados contábeis", diz o procurador.

Em relação à delação premiada (benefício oferecido a réus colaboradores) que o doleiro pleiteia junto às CPIs, o procurador afirma ter oferecido a Barcelona antes do julgamento final de seu caso. A vantagem não lhe foi concedida, explicou, em funções de "dificuldades processuais" enfrentadas pelo acusado junto à Justiça Federal paulista.

Surgimento do mito Barcelona

Barcelona emergiu no noticiário como figura criminosa a partir da revelação de suas ligações com o ex-superintendente da Polícia Federal em São Paulo delegado Francisco Baltazar da Silva, acusado de fazer remessas de recursos para o exterior.

O delegado teria movimentado cerca de 135 mil dólares por intermédio da empresa do doleiro, a Barcelona Tour. As operações foram denunciadas à Corregedoria Geral do órgão pela Justiça Federal de São Paulo. Com isso, Baltazar, que aspirava assumir a direção geral da PF, acabou pedindo exoneração do cargo para evitar sua demissão.

O envolvimento de Baltazar foi rastreado por meio de investigações feitas pelos setores de Inteligência da própria PF. O delegado era conhecido como "o amigo de Lula" por ter comandado sua segurança durante as quatro vezes em que disputou as eleições para a Presidência da República.

Toninho da Barcelona foi condenado a 25 anos de prisão. Seu julgamento foi realizado em três processos distintos conduzidos pela Justiça Federal do Paraná e de São Paulo.

Seus depoimentos à CPI dos Correios, no mês passado em São Paulo, e à CPI dos Bingos, nesta terça-feira, não constituem seu primeiro contato com investigações parlamentares.

Ele foi citado no relatório final da CPI do Narcotráfico como responsável pela internação de aproximadamente 30 milhões de dólares entre 1995 e 1997. Ao mesmo tempo, ele teria remetido cerca de 1,3 milhão de dólares.

Em agosto de 2004, Barcelona voltou a ocupar o noticiário após a realização da Operação Farol da Colina. Nome dado em referência à conta utilizada para as transações feitas na conta Beacon Hill, cuja tradução literal é "colina do farol".

As investigações sobre o caso continuam na PF e no Ministério Público.

ÍNDICE DE ÚLTIMAS NOTÍCIAS  IMPRIMIR  ENVIE POR E-MAIL

 ÚLTIMAS DA CRISE
17/11/2010

16h12- Sete prefeitos presos em operação da Polícia Federal na BA são soltos pelo STJ

15h59- Reajuste de parlamentares sai este ano, garantem deputados da Mesa

15h49- 'Levarei a Dilma para passar o bastão lá', diz Lula sobre visita a catadores de papel

15h33- CCJ do Senado aprova projeto que permite plebiscito de iniciativa popular

15h23- Lula conversa com Sarkozy e sinaliza por escolha de Rafale

15h13- Novo ministro do STF será indicado até 17 de dezembro

15h04- Lula diz que levará Dilma para encontro com catadores de papel em SP; veja

15h04- Lula diz que vê com tranquilidade 'blocão' formado pelo PMDB

13h36- Temer chama PT e PMDB para conversar e minimiza formação de 'blocão'

13h25- Erramos: Dilma conversa por duas horas com vice Michel Temer