UOL Últimas NotíciasUOL Últimas Notícias
UOL BUSCA


 

21/09/2005 - 21h07
Dantas diz que houve interferência política em fundos


Por Patrícia Duarte

BRASÍLIA (Reuters) - O banqueiro Daniel Dantas, do grupo Opportunity, afirmou nesta quarta-feira aos integrantes das CPIs dos Correios e do Mensalão que houve pressão política por meio dos fundos de pensão sobre as questões envolvendo operadoras de telefonia, como a Brasil Telecom, onde são sócios e travam verdadeira batalha jurídica com outros controladores.

Em um depoimento considerado sem surpresas por parlamentares, Dantas não poupou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nem do seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

O banqueiro fez um histórico sobre as pendências e afirmou que seu relacionamento com a Previ (fundo de pensão do Banco do Brasil) piorou em 2000, durante o governo FHC, quando houve desentendimentos sobre a compra da Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT) pela BrT.

Segundo ele, o Opportunity defendia preço cerca de 200 milhões de dólares a menos do que os fundos e a Telecom Itália --outra sócia da Brasil Telecom-- fecharam com a Telefônica, então controladora da CRT, de 800 milhões de dólares.

"As pressões começaram, inclusive dos fundos... Naquele momento, a pressão basicamente era da Previ", afirmou o empresário, acrescentando que o Ministério das Comunicações, então chefiado por Pimenta da Veiga, também atuava.

Dantas não deu muitos detalhes sobre possíveis motivos reais que levaram ao negócio, mas que os fundos teriam, na época, considerado a compra da CRT mais "estratégica" para o negócio da BrT. Hoje, o controle acionário da terceira maior operadora do país é disputado, de um lado, pelo Citigroup e os fundos de pensão e, de outro, pelo Opportunity e Telecom Italia.

O empresário, que depõe desde às 10h30 sob a proteção de habeas corpus que lhe permite ficar calado, também afirmou ter recebido pressão do ex-presidente do Banco do Brasil Cássio Casseb durante o governo de Lula para abrir mão de seus direitos na operadora. O recado teria vindo por intermédio do ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu que, em um segundo momento, mudou de posição e teria garantido que o governo não interferiria mais no assunto.

"O (atual) governo, no meu entendimento, interfere constantemente e regularmente nos fundos de pensão", afirmou o empresário, negando que tenha conseguido qualquer benefício tanto neste como no governo anterior. "Não é razoável que quem tenha sido atrapalhado, ser o alimentador."

Os fundos de pensão, sócios do Dantas na operadora e quem o empresário chama de "adversários", reagiram com indignação às declarações do banqueiro, negando qualquer ingerência política.

"Não houve movimento do governo para que fizéssemos alguma coisa", afirmou à Reuters o presidente do Petros (Petrobras), Wagner de Oliveira.

As fundações também negaram que tenham recebido qualquer proposta de compra das ações da BrT pelo Opportunity, como declarou Dantas às CPIs.

"Nunca soube de qualquer proposta. Ele (Dantas) fala com candura, com coerência, pena que é tudo mentira", disse à Reuters o presidente do Funcef (Caixa Econômica Federal (CEF), Guilherme Lacerda.

Resguardo

Parlamentares avaliam que Dantas não trouxe nenhuma informação nova ou suficientemente forte. O sentimento é de que ele está se resguardando ao máximo, mas seu depoimento serviu de palco para discussões calorosas entre políticos da base --que buscavam obter informações na época da privatização da Telebrás (1998)-- e da oposição, que focavam o governo Lula. A sessão chegou a ser suspensa por conta das brigas.

"Não vimos nada de novo, nada que pudesse avançar nas nossas investigações", afirmou o presidente da CPI do Mensalão, senador Amir Lando (PMDB-RO).

Dantas negou que tenha solicitado ao empresário Marcos Valério de Souza, apontado como um dos principais articuladores do suposto esquema de mensalão, qualquer interferência dentro do governo de Lula. O banqueiro disse que conheceu Valério em São Paulo, sem precisar data, e conversou com ele sobre campanhas publicitárias da operadora celular da Brasil Telecom.

As agências de propaganda de Valério DNA e SMP&B, acrescentou Dantas, trabalham para a Telemig Celular e para a Amazônia Celular desde 1998. Ele negou conhecer que qualquer pagamento feito à agência tenha sido usado no mensalão.

"Não há um só centavo que tenha sido pago e não tenha ido para publicidade", afirmou Dantas.

Dantas disse que nunca se encontrou com o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, mas admitiu que seu sócio Carlos Rodenburg chegou a conversar com o político, "para mostrar que o grupo (Opportunity) não tinha nada contra o partido".

Filho de Lula

Dantas confirmou que a BrT negociou a compra da Gamecorp, empresa de Fabio Luiz Lula da Silva, filho de Lula.

"O diretor me disse que o preço era caro e preferiu não levar adiante", disse ele referindo-se a informação que recebeu de um diretor da BrT.

O aporte de capital da Gamecorp foi fechado pela Telemar por 5 milhões de reais. Dantas negou que a BrT tenha pago as passagens de Fabio Luiz ao Japão, como chegou a ser divulgado, mas afirmou que a empresa arcou parte da alimentação.

ÍNDICE DE ÚLTIMAS NOTÍCIAS  IMPRIMIR  ENVIE POR E-MAIL

 ÚLTIMAS DA CRISE
17/11/2010

16h12- Sete prefeitos presos em operação da Polícia Federal na BA são soltos pelo STJ

15h59- Reajuste de parlamentares sai este ano, garantem deputados da Mesa

15h49- 'Levarei a Dilma para passar o bastão lá', diz Lula sobre visita a catadores de papel

15h33- CCJ do Senado aprova projeto que permite plebiscito de iniciativa popular

15h23- Lula conversa com Sarkozy e sinaliza por escolha de Rafale

15h13- Novo ministro do STF será indicado até 17 de dezembro

15h04- Lula diz que levará Dilma para encontro com catadores de papel em SP; veja

15h04- Lula diz que vê com tranquilidade 'blocão' formado pelo PMDB

13h36- Temer chama PT e PMDB para conversar e minimiza formação de 'blocão'

13h25- Erramos: Dilma conversa por duas horas com vice Michel Temer