UOL Últimas NotíciasUOL Últimas Notícias
UOL BUSCA


 

31/07/2004 - 11h55
Vaticano se posiciona contra o feminismo e a ideologia de gênero

Cidade do Vaticano, 31 jul (EFE).- Em um texto divulgado hoje, sábado, o Vaticano condena o feminismo radical e a chamada "ideologia de gênero", por considerar que a diferença entre os sexos vem sendo minimizadae o indivíduo tem se achado no direito de escolher seu gênero sem levar em conta seu próprio sexo. No documento intitulado "Carta aos bispos da Igreja Católica sobre a colaboração do homem e a mulher na Igreja e no mundo", preparado pela Congregação para a Doutrina da Fé, o antigo Santo Ofício, o Vaticano também critica as comparações entre a homossexualidade e a heterossexualidade.

Segundo a Igreja, o feminismo radical dos últimos anos é responsável por a mulher achar que, para ser ela mesma, tem que se transformar em uma antagonista do homem, provocando "uma rivalidade radical entre os sexos, na qual a identidade e o papel de um são assumidos em detrimento do outro".

A conseqüência, segundo o Vaticano, é a introdução na antropologia "de uma confusão prejudicial que tem sua implicação mais imediata e nefasta na estrutura da família".

O documento, elaborado pelo cardeal Joseph Ratzinger, o encarregado de velar pela ortodoxia da fé católica, denuncia ainda que, ao evitar qualquer supremacia entre um e outro sexo, o feminismo radical tende a anular "a diferença corporal chamada sexo, enquanto considera primária a dimensão estritamente cultural chamada gênero".

"Esta antropologia que pretendia dar igualdade à mulher, liberando-a de todo determinismo biológico, inspirou ideologias que põem em interdição a família natural composta por um pai e uma mãe, comparam a homossexualidade à heterossexualidade e defendem um novo modelo de sexualidade polimorfa", ressalta o texto.

A Igreja considera um equívoco o fato de, na busca por essa libertação da mulher, as Sagradas Escrituras sejam criticadas por, supostamente, transmitirem uma cultura essencialmente machista.

O documento reitera a doutrina da Igreja baseada no Livro do Gênesis, insiste na importância da diferença sexual e afirma que o homem e a mulher estão convocados, desde a sua origem, a não apenas existirem um ao lado do outro, ou simplesmente juntos, "mas a existir reciprocamente um para o outro".

Neste ponto, o Vaticano lembra que o casamento é a dimensão primeira e "fundamental" dessa vocação, condena as relações marcadas pela concupiscência e a submissão e volta a reiterar seu "não" ao divórcio, ao considerar que a fidelidade é mais forte que as debilidades e os pecados do casal.

O documento também diz que a mulher não é uma cópia do homem, dada a capacidade que esta tem para gerar vida, "realidade que estrutura profundamente a personalidade feminina".

Mas embora a maternidade seja um elemento-chave dessa identidade, o texto especifica que "isso não autoriza em absoluto a consideração da mulher exclusivamente sob o aspecto da procriação biológica".

Ratzinger também faz referência à "vocação cristã pela virgindade", afirmando que ela "contradiz toda a pretensão de prender a mulher em um destino que seria simplesmente biológico".

A maternidade, diz o cardeal alemão, também pode encontrar plena realização onde não há geração física.

O documento analisa a incorporação da mulher no mundo do trabalho e ressalta a necessidade de ela poder combinar a família e o trabalho.

A esse respeito, o Vaticano exige aos governos que adptem as legislações para que a mulher possa cumprir "com sua missão dentro da família".

O problema, diz o texto, não é só jurídico, econômico ou organizativo, mas, antes de tudo, é de mentalidade, cultura e respeito.

"É preciso buscar uma forma de a mulher poder trabalhar com horários adequados que não obriguem ela a escolher entre alternativas que possam prejudicar sua vida familiar ou a sofrer uma situação de tensão que prejudique seu equilíbrio pessoal ou a harmonia familiar", escreve o Vaticano.

O documento acrescenta que também é preciso valorizar o trabalho da mulher na família, "de modo que as mulheres que livremente dedicam todo seu tempo ao trabalho doméstico não sejam estigmatizadas socialmente e penalizadas economicamente".

João Paulo II já pediu durante o II Sínodo de Bispos para a Europa, realizado em 2003, que o trabalho doméstico seja considerado uma contribuição ao bem comum, ocasião em que também propôs que seja pago um salário à dona de casa.

Embora em várias partes do documento Ratzinger não poupe elogios à mulher e assegure que o seu papel é cada vez é maior na Igreja, o cardeal reitera o "não" à sua ordenação sacerdotal, insistindo em que é algo "exclusivamente reservado" aos homens.

ÍNDICE DE ÚLTIMAS NOTÍCIAS   IMPRIMIR   ENVIE POR E-MAIL

Folha Online
Reforma visual da Folha facilita a leitura; conheça as mudanças
UOL Esporte
Após fiasco de público, CBF reduz preços de ingressos para partida
UOL Economia
Bovespa reduz ritmo de perdas
perto do fim dos negócios

UOL Tecnologia
Fãs do iPhone promovem encontro no Brasil; veja mais
UOL Notícias
Chuvas deixam quatro mortos e afetam mais de 4 mil no Paraná
UOL Vestibular
Cotista tem nota parecida com de não-cotista aponta Unifesp
UOL Televisão
Nova novela da Record terá máfia e Gabriel Braga Nunes como protagonista
UOL Música
Radiohead entra em estúdio para trabalhar em disco novo
UOL Diversão & Arte
Escritor indiano Aravind Adiga ganha o Booker Prize
UOL Cinema
Novo filme dos irmãos
Coen tem maior bilheteria nos EUA