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25/08/2004 - 14h06
Comissão da Verdade não retratou realidade de réus no Peru

Por Paola Ugaz Lima, 25 ago (EFE).- O sacerdote belga Hubert Lanssiers, que trabalha como capelão nas prisões mais violentas do Peru há 31 anos, disse nesta quarta-feira à EFE que a Comissão da Verdade "não retratou a cruel realidade" dos réus durante a época da guerra interna.

No dia 28 de agosto faz um ano que foi apresentado o relatório final da Comissão da Verdade e Reconciliação (CVR) do Peru, que "aborreceu e desiludiu" Lanssiers porque "nenhum dos (membros das forças da ordem) que torturaram os presos foi processado até hoje".

"Há meninas na prisão de Santa Mónica que nem raciocinam devido às torturas que sofreram, sem contar os estupros e as crianças que nasceram como conseqüencias, e o que se diz sobre isso?", perguntou.

Em 1996, durante o governo de Alberto Fujimori, Hubert Lanssiers, de 74 anos, foi nomeado diretor da Comissão de Indultos para os crimes terroristas, que em quatro anos de funcionamento liberou 1.600 inocentes.

O sacerdote conseguiu que Fujimori, que está no Japão foragido da justiça peruana desde 2000, admitisse o erro que cometeu ao impor a figura dos "juízes sem rosto", que podiam ditar uma pena à prisão perpétua em 15 minutos.

No início da década de 80, o religioso, famoso no Peru por não se amedrontrar diante de nenhuma autoridade, conseguiu que o falecido presidente Fernando Belaúnde (1980-1985) desse 800 colchões para detentos de uma extinta prisão em Lima.

"Os membros da Comissão (da Verdade) são pessoas respeitáveis, mas que nunca tinham visitado uma prisão na vida, então não conheceram a fundo o problema e não poderam descrevê-lo no real dramatismo", disse o sacerdote e filósofo.

Lanssiers, sobrevivente da II Guerra Mundial, diz que conhecer os métodos violentos do Sendero Luminoso não foi novidade, mas que indiferença aos que morriam violentamente nos Andes foi "terrível".

O grupo terrorista Sendero Luminoso se desenvolveu no planalto do Peru, comentou Lanssiers, "um lugar imenso e inexorável".

"São povos abandonados por Deus e pelo homem", disse.

O atentado a bomba em 1992 na Rua Tarata, centro do distrito de Miraflores, em Lima, que matou 25 pessoas, feriu 145 e arruinou 298 imóveis foi a gota d'água, segundo Lanssiers, para que os moradores de Lima de classe alta "notassem que estavam em guerra desde o surgimento do Sendero Luminoso, em 1980".

"A suposta elite atacada e alterada diretamente pela primeira vez, pediu resultados à custa de fechar os olhos diante das injustiças, feito com que foi aproveitado por Fujimori", acrescentou.

O sacerdote, que visitou recentemente na prisão o líder do Sendero Luminoso, Abimael Guzmán, para pedir que deixe a greve de fome, afirma dele que "é um líder produto de uma circunstância".

"Ele foi fabricado pelos seus seguidores que tentaram sair da pobreza de uma maneira errada", opinou.

Lanssiers afirma que continua sua luta "para preservar a dignidade humana" e lamenta que o governo peruano "não se interessa pelos réus inocentes".

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