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26/08/2004 - 19h26
Kissinger deu sinal verde a militares argentinos para repressão

(embargado até 01:00 de sexta-feira no horário de Brasília) Por Jorge A. Bañales Washington, 27 ago (EFE).- Em junho de 1976, quando aumentavam as torturas e desaparições na Argentina, o secretário de Estado americano Henry Kissinger disse aos militares golpistas: "Façam o que têm que fazer, rápido, e voltem a normalidade".

A informação é do National Security Archive, um organismo que obtém e analisa documentos do governo dos EUA. Nesta sexta-feira, o NSA divulgou o memorando de uma conversa, realizada em Santiago do Chile, entre Kissinger e o ministro de Relações Exteriores da ditadura argentina, almirante Augusto Guzzetti.

Na reunião, Kissinger aconselhou o ministro da ditadura argentina: "Se há coisas que devem ser feitas, é melhor que sejam feitas rápido. Mas devem retornar rapidamente aos procedimentos normais".

Guzzetti responde: "Sim, devemos encontrar procedimentos que não alienem a cidadania. Aconselharei o nosso presidente".

Dois meses e meio antes do encontro, os militares da Argentina haviam derrubado o governo constitucional da presidenta María Estela Martínez de Perón e iniciado uma campanha de repressão que incluiu assassinatos, torturas e desaparições de milhares de pessoas, inclusive de centenas de exilados de países vizinhos.

Carlos Osorio, diretor no NSA do Projeto Cone Sul, disse à EFE que "Kissinger nunca discutiu" na conferência "as violações dos direitos humanos, a tortura de vários cidadãos americanos, nem o assassinato de refugiados políticos no contexto da Operação Condor".

A "Operação Condor" foi a operação realizada pelos regimes militares de Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai para a captura e a eliminação de exilados políticos e supostos guerrilheiros em toda a região.

"Este memorando confirma a idéia de que Kissinger deu sinal verde à guerra suja e prova o entendimento cordial dos dois dignitários em assuntos de segurança", acrescentou Osorio.

Na reunião documentada pelo memorando do Departamento de Estado, o almirante Guzzetti disse a Kissinger que havia aproximadamente 500 mil cidadãos de países vizinhos na Argentina que haviam apoiado o governo peronista. O militar reforça a acusação afirmando que entre os estrangeiros havia "terroristas".

De acordo com o memorando americano, Guzzetti mencionou um "problema terrorista", que segundo ele "é geral em todo o Cone Sul".

O militar garantiu ainda que "para combatê-lo, estamos fomentando os esforços conjuntos para nos integrar com nossos vizinhos".

"Com quais?" perguntou Kissinger.

"Todos eles: Chile, Paraguai, Bolívia, Uruguai, Brasil", respondeu o ministro argentino.

Outros assuntos abordados foram a reivindicação de soberania da Argentina sobre as Ilhas Malvinas, ocupadas pelo Reino Unido desde 1833, e a preocupação de Washington e Buenos Aires com a presença de tropas cubanas em Angola.

Guzzetti informou Kissinger que o governo de Buenos Aires tinha interesse em estabelecer algum tipo de coordenação para a "segurança do Atlântico Sul" e que o assunto das Ilhas Malvinas era "muito importante para Argentina".

"Até agora o governo dos Estados Unidos se absteve no assunto das Malvinas. Esperamos que ele reconsidere sua posição e nos ajude", disse Guzzetti.

"Para nós", respondeu Kissinger, "é muito difícil tomar posição nisso".

Em 1982, a ditadura militar argentina enviou uma expedição às Malvinas, tentando anexá-las. Com apoio dos EUA, o Reino Unido, respondeu de forma dura, apesar de lenta, e derrotou Buenos Aires. O fracasso da campanha acabou acelerando o fim do regime militar.

Segundo o documento, outros representantes dos EUA compareceram à reunião: o subsecretário de Estado para Assuntos Econômicos, William Rogers; o subsecretário para Assuntos de Segurança Internacional, Carlyle Maw; e Luigi Einaudi, atual subsecretário geral da Organização dos Estados Americanos. Pelo lado argentino, acompanharam Guzzetti o Diretor Geral de Política Internacional na chancelaria, Carlos Pereyra e o embaixador da Argentina na OEA, Julio César Carasales.

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