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27/10/2004 - 21h38
Executivos da Kroll detidos no Brasil por espionagem comercial

Rio de Janeiro, 27 out (EFE).- A Polícia Federal do Brasil deteve nesta quarta-feira o presidente e outros quatro diretores de uma consultoria que investiga casos de corrupção em 32 países por causa de um escândalo de espionagem entre empresas multinacionais de telecomunicação e outras companhias.

As detenções são parte da denominada "Operação Chacal", empreendida por 90 agentes federais em quatro cidades e que visa a investigar um complexo caso de espionagem no qual teriam participação membros do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A Polícia Federal deteve o presidente e outros quatro executivos da empresa de consultoria Kroll Associates, que no fim de julho admitiu que foi contratada para investigar atividades da Telecom Itália no Brasil a pedido do Brasil Telecom.

Segundo denúncias jornalísticas, alguns membros do governo e importantes assessores de Lula foram espiados no meio de uma guerra entre grupos empresariais pelo controle da empresa de telecomunicações Brasil Telecom, em poder do Banco Opportunity.

A empresa de consultoria Kroll negou que tivesse dirigido suas investigações para o Executivo, mas os trabalhos feitos pela Polícia Federal desde fevereiro levaram hoje a uma espetacular operação de buscas simultâneas em imóveis, de apreensão de documentos e de detenção de pessoas em Brasília, Riberão Preto e Rio de Janeiro.

As autoridades detiveram o presidente da Kroll no país, Eduardo Sampaio Gomide, o gerente Vander Aloisio Giordano, a investigadora Julia Marinho Leitao da Cunha, e Rodrigo de Azevedo Ventura, além de Ricardo Sanchez, ambos acusados de operar sofisticados equipamentos de escuta, que também foram apreendidos.

A Kroll fez investigações em países como Venezuela, Bolívia, Cuba, Grécia, Turquia e Sérvia e seus cinco diretores serão processados por formação de quadrilha, cuja pena no Brasil é de três anos de prisão.

Fontes da Polícia Federal informaram hoje que o banqueiro Daniel Dantas, proprietário do Opportunity, e a presidenta da Brasil Telecom, Carla Cicco, também serão vinculados ao processo.

Porta-vozes da Polícia Federal disseram ter provas de que a Kroll realizava operações ilegais no Brasil a pedido da Brasil Telecom, que também deverá responder pelos delitos imputados.

Segundo a versão oficial, existem evidências de que funcionários públicos transmitiram à Kroll informações secretas, embora as medidas contra eles só venham a ser adotadas nos próximas dias.

"A Kroll foi contratada para obter os testemunhos de pessoas e documentos para abastecer alguns grupos. Ela conseguia documentos que só poderiam ser adquiridos com autorização judicial. Eles (os investigadores da Kroll) se valeram de funcionários públicos, não necessariamente de alta posição, para obter informações", explicou o delegado Romero Menezes.

O alvo inicial da Kroll, segundo as investigações da Polícia Federal, era a empresa de telefonia Telecom Italia, acionista da Brasil Telecom, com quem o Banco Opportunity tinha travado uma guerra judicial.

Durante os primeiros seguimentos -acrescentou Menezes- os agentes da Kroll interceptaram emails entre o ministro da Secretaria de Comunicação do governo, Luiz Gushiken, e o empresário Luiz Roberto Demarco, da Telecom Italia, e espiaram o presidente do Banco do Brasil, Cassio Casseb, durante algumas reuniões feitas no exterior.

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