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01/03/2005 - 13h28
Morte de crianças mostra miséria dos índios, afirmam ativistas

Por Omar Lugo Rio de Janeiro, 1 mar (EFE).- A morte de seis crianças em uma reserva indígena vítimas da fome mostra a miséria dos povos indígenas no Brasil e a ineficácia de programas sociais como o Fome Zero, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, denunciaram nesta terça-feira ativistas consultados pela EFE.

O drama das etnias kaiowá-guarani ficou em evidência nos últimos dias, com relatórios sobre a desnutrição e a miséria no que resta da que foi uma das maiores nações indígenas da América do Sul.

Na reserva da cidade sul-matogrossense de Dourados, cerca de 11.000 pessoas vivem em 3.000 hectares sem condições mínimas para trabalhar na terra nem saneamento básico, muito menos programas sustentáveis, segundo antropólogos e grupos religiosos.

Pelo menos 290 crianças sofrem desnutrição severa e 35% dos menores de seis anos sofrem de alguma forma de desnutrição, admitiram as autoridades.

"Há muitos índios para pouca terra. Trata-se de um problema antigo", disse à EFE Harue Goto, coordenadora no estado da Comissão Pastoral da Criança, organização vinculada à Igreja Católica.

O governo afirma que a desnutrição se deve a "fatores culturais", pois nos últimos meses foram destinados dois milhões de dólares para a compra de milhares de cestas básicas para as aldeias de Dourados.

Funcionários, empresários e fazendeiros da região argumentam que os alimentos são trocados por aguardente e, quando há comida, os adultos comem primeiro do que as crianças. Também acusam os índios de serem preguiçosos e se negam a lhe dar emprego por medo de que se revoltem contra dos patrões e peçam propriedade das terras.

O Mato Grosso do Sul, na fronteira com a Bolívia e o Paraguai, é um dos celeiros do Brasil na produção de carnes, leite, soja, milho e cana de açúcar, principais produtos de exportação do país.

Os guarani-kaiowá exigem o controle de cerca de 15 grandes fazendas adjacentes à reserva de Dourados. Há um ano eles invadiram o território, mas foram expulsos pouco depois em meio a um clima de conflito entre os brancos e os índios.

Os casos estão arquivados em tribunais de justiça.

"A questão é que esses povos foram absolutamente confinados em áreas insuficientes para sua subsistência física e sua organização social", disse à EFE o antropólogo Antonio Brand, da Universidade Don Bosco, no MS.

"Não têm nem um hectare por família e se trata de terras muito deterioradas, o que explica a falta de alimentos", acrescentou Brand.

A maioria dos índios que trabalha o faz nas grandes fazendas de cana de açúcar por um salário mínimo, equivalente a cerca de 100 dólares mensais.

"Se o problema fosse de ordem cultural, por que só foi percebido na última década? Não há registro anterior algum por parte de nenhum dos estudiosos, missionários e agentes de governo" assinalou Brand.

"A entrega de cestas básicas (principal política oficial na região) agrava o problema e gera paternalismo e passividade", advertiu.

O governo regional, nas mãos do Partido dos Trabalhadores (PT), promoveu seus programas sociais, e o próprio Lula pediu a intervenção de funcionários federais de saúde.

"Mas não se pode pensar em um futuro para os jovens sem a devolução das terras das quais foram historicamente expulsos", assinalou Brand.

Junto com a devolução das terras, é fundamental um programa de assistência técnica e educativa, com incentivo à produção de alimentos e geração de renda nas localidades, acrescentou.

A nação kaiowá-guarani, que ocupou há séculos o sul do Brasil, Paraguai, norte da Argentina e Uruguai, só se encontra no país no Mato Grosso do Sul.

As reservas foram decretadas há cerca de 30 anos, mas não foram bem delimitadas e, nesse período, a população indígena cresceu.

"Até que não se resolva a propriedade da terra não haverá solução para o problema", disse Rogério Batalha, da assessoria jurídica do Conselho Missionário Indígena (Cimi).

Metade dos moradores de Dourados tem menos de 18 anos e enfrenta falta de trabalho e oportunidades. "Esses jovens não têm perspectiva nem dentro nem fora das aldeias, onde são discriminados", destacou Batalha.

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