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02/04/2005 - 18h54
João Paulo II, o papa que contribuiu para a queda do comunismo

Por Juan Lara Cidade do Vaticano, 2 abr (EFE).- O papa polonês João Paulo II passará para a história como o Pontífice que contribuiu decisivamente para a queda do comunismo, modelo político que conheceu pessoalmente porque viveu nele durante mais de três décadas.

Desde sua primeira encíclica, "Redemptor hominis", de 1979, e seu primeiro documento social, o "Laborem exercens", de 1981, Karol Wojtyla começou um incessante trabalho de combate do comunismo, ao qual criticou não desde a vertente religiosa, como o ateísmo ou a perseguição dos cristãos, mas desde aspectos antropológico e sociais, como sistema injusto que alienava a pessoa humana.

Fortemente ligado à Polônia, o papa não se esqueceu dela depois de ser eleito sucessor de São Pedro, e desde o Vaticano seguiu muito de perto os eventos sociais de seu país, impulsionados pelo sindicato livre Solidariedade, surgido na cidade de Gdansk e que contou desde o primeiro momento com o forte apoio da Igreja e a solidariedade do Pontífice.

O Solidariedade aglutinou o movimento popular contrário ao poder comunista. Os primeiros anos da década de 80 foram muito difíceis para a Polônia. O sindicato foi declarado ilegal, seus dirigentes perseguidos e foi proclamada a lei marcial.

O apoio da Igreja e a intervenção direta do papa foram vitais. Em 1986 acabou a lei marcial e foram libertados os sindicalistas.

Em 13 de junho de 1987, o então líder polonês, general Wojciech Jaruzelski, foi recebido pelo Papa no Vaticano, e nesse mesmo ano João Paulo II voltou, pela terceira vez, à sua terra. Em Gdansk, 750.000 pessoas lhe aclamaram. Ali lhes confiou que todos os dias rezava por sua pátria e por seus compatriotas e cumprimentou o Solidariedade, no meio da alegria e euforia coletiva.

Segundo os observadores políticos, a visita de Jaruzelski ao Vaticano e o ato de Gdansk marcaram o começo da derrota do comunismo, primeiro na Polônia e depois em outros países.

O golpe definitivo viria em janeiro de 1989, quando Solidariedade foi legalizado definitivamente e, em agosto desse mesmo ano, quando o católico Tadeusz Mazowiecki, que foi assessor do sindicato, chegou ao poder, derrotando os comunistas.

A Polônia foi a primeira ficha do "efeito dominó". Sua queda arrastou a Hungria, que abriu suas fronteiras e seus cidadãos fugiram para a Áustria; depois a Alemanha Oriental, cujos cidadãos também fugiram propiciando em 9 de novembro de 1989 a queda do Muro de Berlim.

Em 1º de dezembro de 1989, Mikhail Gorbachov cruzou a praça de São Pedro do Vaticano para o encontro histórico com o Papa. Depois caíram os regimes da Bulgária, Tchecoslováquia, Romênia e já em agosto de 1991 o da URSS.

Jaruzelski disse do Papa que "é um eslavo que percebeu melhor que outros as realidades de nossa região, de nossa história".

"Seria simplista dizer que a Providência provocou a queda do comunismo. Caiu por si mesmo, como conseqüência de seus próprios erros e abusos. Caiu por si mesmo por causa de sua própria e inerente fraqueza", afirmaria anos depois o Pontífice em uma conversa com o escritor italiano Vittorio Messori.

O "triunfo da liberdade" ficou patente em 1996 durante a viagem que o Papa fez à Alemanha unificada. Diante da Porta de Brandeburgo fez um apaixonado chamado, afirmando que não existe liberdade sem verdade, solidariedade e sacrifício.

Disse que a porta tinha sido "pervertida", primeiro pelo nazismo, e depois pelo comunismo e acrescentou: "não apagueis o espírito, mantende aberta esta porta para vós e todo o mundo".

No entanto, a ilusão pela queda do totalitarismo comunista, que propiciou também o restabelecimento da liberdade para a Igreja nos países do centro e leste europeu, seguiu o desencanto do pós-comunismo, como se ressaltou no II Sínodo especial de bispos para a Europa celebrado em outubro de 1999 no Vaticano.

João Paulo II viu este desencanto durante sua viagem a Ucrânia (2001), onde em dez anos de independência abandonaram o país dois milhões de ucranianos, em busca de um mundo melhor no Ocidente.

Esses países estão atravessando fortes crises econômicas e o comunismo em muitos deles foi substituído por um capitalismo agressivo que só está enriquecendo poucos.

Nestes anos, João Paulo II não se cansou de denunciar os "cantos de sereia" do capitalismo agressivo, consumista e hedonista e mostrou sua preocupação pela progressiva descristianização do continente europeu.

Também condenou o recrudescimento dos nacionalismos exacerbados nos Bálcãs e durante a guerra do Kosovo e da Bósnia-Herzegovina se mostrou a favor da ingerência militar por motivos humanitários para desarmar o agressor.

Além da queda do Muro de Berlim, nestes 25 anos de pontificado, João Paulo II também foi testemunha, entre outras, das duas guerras do Golfo Pérsico. Na primeira, o Vaticano passou de uma postura neutra, com chamadas ao diálogo, a condenar as operações militares dos aliados contra o regime de Bagdá.

Na segunda, contra o Iraque - de 2003 -, ele se opôs com todas as suas forças. Toda a Cúria vaticana se mobilizou contra a guerra, que o Vaticano considerou ilegal.

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