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06/07/2005 - 19h29
Jornalista do NYT é presa por se recusar a revelar fontes

Por Teresa Bouza Washington, 6 jul (EFE).- A jornalista do The New York Times Judith Miller pagou com a prisão nesta quarta-feira sua decisão de se recusar a testemunhar num tribunal que investiga quem no Governo fez vazar o nome de uma agente secreta da CIA (agência central de inteligência americana).

"Ainda existe uma possibilidade realista de o confinamento fazê-la testemunhar", destacou o juiz federal Thomas Hogan durante a audiência realizada para decidir se Miller e Matthew Cooper, um repórter da revista Time, seriam mandados para a prisão.

Cooper aceitou hoje testemunhar, por isso não será fichado.

A menos que decida falar, Miller ficará presa até outubro, quando o júri que decidirá se existem fundamentos para a apresentação de uma acusação formal vai concluir seu trabalho.

A sentença causou comoção entre os meios de comunicação do país, que contemplam com horror as possíveis repercussões que este caso pode ter sobre a liberdade de imprensa nos Estados Unidos.

Durante meses, Miller e Cooper se recusaram a depor no tribunal numa tentativa de proteger suas fontes.

Em outubro passado, o juiz Hogan os declarou em desobediência civil por causa da recusa de ambos em testemunhar.

Nos EUA, revelar "com pleno conhecimento" a identidade de um agente secreto é crime federal, mas como ninguém sabe quem foi a fonte e quais foram suas intenções - apesar dos dois anos de investigações - ainda não foi possível determinar se existe ou não um crime.

O repórter da Time disse no tribunal que na noite passada deu um abraço de despedida em seu filho e lhe disse que "poderia ficar muito tempo sem vê-lo".

"Fui deitar preparado para aceitar as sanções" por não testemunhar, disse Cooper, afirmando que tinha mudado de idéia depois que sua fonte entrou em contato com ele para dizer que o liberava do compromisso de manter sua identidade em segredo.

Cooper foi obrigado a se apresentar hoje no tribunal, apesar de a Time, no dia 30 de junho, ter aceito entregar as anotações do repórter aos investigadores.

Por outro lado, Miller, que foi atrás da verdadeira identidade da agente da CIA, se recusou a dar o braço a torcer, e agora terá que passar vários meses na prisão, apesar de nunca ter publicado uma reportagem sobre o assunto.

A situação incomum fez com que o Clube Nacional de Imprensa, uma das instituições com mais peso na capital americana, assegurasse num comunicado recente que este caso supõe um abuso "particularmente atroz" do promotor.

O promotor público Patrick Fitzgerald pediu ontem ao juiz que ordenasse a prisão dos repórteres sob o argumentando de que essa poderia ser a única maneira de obrigá-los a falar.

"Os jornalistas não têm o direito de prometer completa confidencialidade (...). Ninguém nos EUA tem", destacou Fizgerald.

O debate de fundo gira em torno da conveniência de existir ou não uma lei federal que assegure a confidencialidade das fontes, proposta que recentemente chegou ao Congresso americano, mas que ainda não foi aprovada.

O diretor do The New York Times, Bill Keller, qualificou a sentença como "um ato draconiano que castiga à uma jornalista honorável".

O diretor do The New York Times, Bill Keller, considerou a sentença um ato muito severo, "que pune uma jornalista honorável".

Keller acrescentou que Miller tinha tomado "uma decisão valente e de acordo com seus princípios".

Por sua vez, o advogado da jornalista, Floyd Abrams, disse que sua cliente preferiu "ir presa a trair suas fontes".

A profissão de Plame foi revelada poucos dias depois de seu marido, o ex-embaixador Joseph Wilson, desmentir a acusação do presidente americano George W. Bush de que Saddam Hussein tentou comprar urânio no Níger para fabricar uma bomba atômica.

Wilson afirmou que o vazamento foi uma represália da Casa Branca, e acusou diretamente Lewis "Scooter" Libby, o chefe de gabinete do vice-presidente Dick Cheney, do ato.

A revista Newsweek, em sua mais recente edição, joga mais lenha na fogueira ao afirmar que Karl Rove, principal assessor político de George W. Bush, foi uma das fontes de Cooper.

A Casa Branca não reagiu à notícia, mas Rove, através de seu advogado, Robert Luskin, assegurou à Newsweek que "nunca divulgou, com pleno conhecimento, informação secreta".

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