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23/08/2005 - 11h22
Portugal anuncia risco de novos focos de incêndio

Lisboa, 23 ago (EFE).- Portugal, que vive um novo dia de luta contra os incêndios, anunciou "risco máximo" de novos focos de fogo na maior parte do território continental devido às altas temperaturas.

As chamas já não ameaçam diretamente as casas da cidade de Coimbra, a mais antiga de Portugal, mas continuam consumindo desde domingo florestas próximas, onde cerca de 300 bombeiros tentam apagá-las.

A Guarda Nacional Republicana anunciou nesta terça-feira a detenção em Gondomar, perto do Porto, de quatro jovens - dois deles de 14 anos - supostamente responsáveis por um incêndio registrado ontem.

A detenção dos dois menores, que segundo a Guarda Nacional tinham um "comportamento suspeito", permitiu chegar aos outros dois suspeitos, de 18 e 19 anos.

Com eles, o número de supostos incendiários detidos neste ano em Portugal sobe para 102, segundo dados oficiais. Esse número é muito superior aos 80 detidos em 2004 pelo mesmo motivo.

Além disso, foi divulgado que ontem duas pessoas morreram por causa dos incêndios: um homem de 40 anos, atropelado por um veículo dos bombeiros, e uma senhora que sofria de Alzheimer, de 88 anos, carbonizada a 150 metros da casa da qual tinha fugido.

A primeira vítima ajudava a lutar contra as chamas em Vila Nova de Poiares, no distrito de Coimbra, um dos mais afetados pelas chamas nos últimos dias, e a segunda morreu perto de uma aldeia da região de Ourém, 130 quilômetros ao norte de Lisboa.

Com essas duas vítimas, fontes oficiais calcularam em 16 o número de mortos em Portugal neste ano pelos incêndios, dos quais 11 são bombeiros.

Fontes dos bombeiros assinalaram que em 2003, o pior ano em duas décadas em questão de destruição causada pelo fogo (225 mil hectares), os bombeiros perderam quatro companheiros, que se somaram às 16 mortes de civis provocadas pelas chamas.

Neste ano, os incêndios ja destruíram 90 residências em todo o país e outras 45 estão gravemente danificadas pelas chamas. Os serviços de Defesa Civil lembraram que em 2003 o total de casas destruídas pelo fogo foi de 145, e que outras 99 sofreram graves danos.

O Instituto de Meteorologia anunciou hoje "risco máximo" de fogo na maior parte do território continental português devido às altas temperaturas, principalmente em dois distritos do norte, Porto e Braga, mas também em Viana do Castelo, Bragança, Aveiro, Viseo, Guarda, Coimbra, Leiria, Castelo Branco, Santarém e Lisboa.

Na madrugada de hoje, bombeiros procedentes dos arquipélagos de Madeira e Açores se uniram a milhares de companheiros para combater as chamas.

O avanço das chamas, no entanto, continua sem controle em alguns lugares, segundo o Serviço de Bombeiros e Defesa Civil, que ressaltou que as situações mais preocupantes correspondem a Coimbra e Viseo, ao leste. Hoje, 2.260 bombeiros e 14 aeronaves estão mobilizados no combate ao fogo.

A gravidade da situação levou o primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates, a viajar ontem para Coimbra e anunciar que estarão "imediatamente disponíveis" ajudas para as vítimas, ressaltando que o Fundo Europeu de Solidariedade pode entrar em ação.

Segundo Sócrates, que elogiou a luta dos bombeiros, neste ano a extensão de superfície queimada foi menor, apesar da grave seca e do "maior risco de incêndios que em 2003".

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