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25/10/2005 - 21h30
Morre Rosa Parks, precursora do movimento anti-segregação nos EUA

por Jorge A. Bañales Washington, 25 out (EFE).- Políticos e representantes dos direitos civis prestaram hoje uma homenagem a Rosa Park, a pequena mulher negra que há meio século desafiou as leis de segregação racial e deu início a um movimento que mudou a cara dos Estados Unidos.

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, disse hoje que "a coragem desta humilde costureira comoveu milhões, e conquistou para sempre um lugar no coração dos americanos".

"Lamentamos o falecimento de Rosa Parks, mas nos alegramos pelo fato de que seu legado que jamais morrerá", afirmou em comunicado Jesse Jackson, defensor dos direitos civis, que hoje se encontra na África do Sul.

"Em muitos sentidos, a História se divide em antes e depois de Rosa Parks", disse Jackson, que acrescentou que "ela permaneceu sentada para que pudéssemos ficar de pé, e os muros da segregação foram derrubados".

O líder negro se referiu ao dia 5 de dezembro de 1955. Na ocasião, em um ônibus do transporte público em Montgomery (estado do Alabama), Parks, então uma costureira de 42 anos, desafiou as leis de segregação promulgadas após a guerra civil (1861-1865) que limitavam os lugares e serviços que podiam ser usados pelos negros.

Quando um homem branco lhe disse para ceder seu assento em um ônibus, a mulher se negou a levantar-se, sendo por isso detida, multada, e levada à prisão. Parks era integrante ativa da National Association for the Advancement of Colored People (NAACP).

"Seu ato foi de tremenda coragem", disse à EFE o professor Edward Smith, da American University, que tinha 12 anos quando Parks se recusou a ceder seu assento. "E a forma pela qual o fez, um ato de desobediência realizado de uma maneira serena, marcou o movimento durante uma década, um movimento de protesto pacífico".

Em sua autobiografia, Parks disse que "algumas pessoas disseram que não levantei porque estava cansada. Isso não é verdade. Era uma mulher jovem e não estava mais cansada do que ao término de qualquer outro dia de trabalho".

"Estava cansada era de ter que ceder sempre", acrescentou.

"Quando fui detida, eu não tinha idéia que isso ia dar início a todo um movimento".

A detenção de Parks causou um boicote de 381 dias contra o sistema de transporte público organizado por um pastor batista até então pouco conhecido, Martin Luther King, que ganharia o prêmio Nobel da Paz em 1964 por seu trabalho em favor dos direitos civis.

O desafio pacífico das leis injustas, com risco pessoal por parte de Parks, e a escolha da desobediência civil como tática por parte de King conferiram ao movimento de direitos civis nos EUA um fervor religioso e uma superioridade moral que comoveram o mundo.

Em 1998 o Congresso dos Estados Unidos outorgou a Parks a Medalha de Honra, principal condecoração que o legislativo outorga a civis.

"O país perdeu uma mulher valente e uma verdadeira heroína americana", disse hoje o senador Edward Kennedy, do Partido Democrata.

O chefe do Partido Republicano na Câmara de Representantes, Dennis Hastert, descreveu Parks como "uma mulher que mudou nossa nação".

Parks faleceu na segunda-feira aos 92 anos, de causas naturais, em sua casa em Detroit, no estado de Illinois, informou Gregory Reed, seu advogado durante os últimos quinze anos.

O congressista republicano Mario Díaz Balart disse que "Parks será sempre uma heroína e um ícone do movimento pelos direitos civis".

O boicote contra o transporte público de Montgomery ocorreu um ano após a decisão da Suprema Corte de Justiça dos EUA de que a segregação de brancos e negros nas escolas era inconstitucional, e marcou o começo do movimento pelos direitos civis.

O movimento culminou com a promulgação, em 1964, por parte do presidente Lyndon Johnson, da Lei de Direitos Civis, que proibiu a discriminação em lugares e serviços públicos.

Após seu ato de desobediência pacífica, Parks teve dificuldades para encontrar trabalho no Alabama, e em meio a ameaças e ofensas, mudou-se com seu marido Raymond para Detroit, em 1957.

Meio século depois, o professor Smith assegura que "os problemas enfrentados pelos negros são problemas criados por nós mesmos: alto índice de criminalidade, adolescentes grávidas, dissolução familiar, mas não são resultados do racismo".

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