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22/11/2005 - 12h24
Fome mata seis milhões de crianças por ano, diz relatório da FAO

Roma, 22 nov (EFE).- Cerca de seis milhões de crianças morrem a
cada ano pela fraqueza de seus sistemas imunológicos causada pela
fome e desnutrição, o que as torna incapazes de superar doenças
infecciosas curáveis como a diarréia, o sarampo e a malária.

A denúncia está contida no último relatório sobre a situação da
fome no mundo da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e
a Alimentação (FAO), que lembra que na fome e na má nutrição estão
as piores conseqüências da pobreza.

O documento, apresentado hoje em Roma na 33ª Conferência bienal
do organismo da ONU, ressalta que combater a desnutrição que atinge
852 milhões de pessoas no mundo, segundo as últimas estimativas da
FAO (2004), é indispensável para alcançar todos os Objetivos de
Desenvolvimento do Milênio.

Reduzir a fome e a pobreza extrema até 2015 é o primeiro desses
objetivos, que os líderes de 189 países se comprometeram a cumprir
na Cúpula de 2000 e que incluem, além disso, o acesso à educação, a
igualdade de gênero, a luta contra a mortalidade infantil, a Aids e
outras doenças, a melhora da saúde materna e a sustentabilidade do
meio-ambiente.

"A maior parte destes objetivos não será alcançada sem um
compromisso mais efetivo e progressos mais rápidos", advertiu o
diretor da FAO, Jacques Diouf, no prefácio do relatório.

As notícias mais encorajadoras neste sentido provêm da América
Latina e do Caribe, a única região em desenvolvimento que reduziu a
fome suficientemente rápido desde 1990 a ponto de poder alcançar a
meta estabelecida nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio,
segundo o documento.

A região da Ásia-Pacífico também tem "boas possibilidades",
indica a FAO, enquanto as más notícias vêm, mais uma vez, da África
subsaariana, onde a fome diminui "muito lentamente".

Embora haja progressos desde 1990, "será necessário que a região
aumente consideravelmente seu ritmo" se quiser cumprir os Objetivos
do Milênio, insiste o relatório.

O estudo também adverte que a incidência de fome no Oriente Médio
e no norte da África "é baixa" mas, ao invés de diminuir, têm
aumentado nos últimos dez anos em uma tendência que parece contínua,
razão pela qual têm de ser revertida para que os objetivos sejam
alcançados na região.

Por outra lado, a FAO ressalta que os progressos foram mais
difíceis justamente naqueles países onde há mais fome: só quatro dos
16 países nos quais mais de 35% da população sofre desnutrição
registram progressos, enquanto no restante o índice não apresenta
variações ou, pior ainda, aumenta.

Este grupo inclui treze países da África subsaariana e Haiti,
segundo dados do período 2000-2002 (o relatório divulgado hoje não
atualiza o número de famintos; uma nova estimativa está prevista na
edição de 2006).

A FAO insiste que a luta para eliminar a fome será decidida nas
zonas rurais, onde vivem três de cada quatro pessoas com fome no
mundo.

"Nestas regiões residem a grande maioria das quase 11 milhões de
crianças que morrem antes de completar cinco anos, das 530 mil
mulheres que falecem durante a gravidez ou o parto e dos 300 milhões
de casos de malária aguda", lembra a agência da ONU.

O relatório ressalta que a fome e a desnutrição são a causa de
mais da metade dos casos de mortalidade infantil - seis milhões por
ano -, o que equivale aproximadamente a toda a população pré-escolar
do Japão, e que "os progressos para reduzi-los se desaceleraram, ao
invés de se acelerarem".

A FAO insiste que, para acabar com a fome, é necessário aumentar
a produção agrícola através de investimentos, boa governança,
estabilidade política e manutenção da paz, além de "educação de
qualidade para as crianças nas áreas rurais e a melhoria da condição
da mulher".

Chegar a estes fatores em um ritmo mais rápido que o atual é
indispensável, segundo a FAO, para que nos próximos dez anos comece
a se tornar realidade a afirmação feita na Cúpula Mundial sobre a
Alimentação: "todas as pessoas têm o direito fundamental a não
passar fome".


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