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05/01/2006 - 08h57
Apoio de Chávez a Humala causa mal-estar para o Governo peruano

Por David Blanco Bonilla Lima, 5 jan (EFE).- O apoio aberto do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ao candidato nacionalista peruano Ollanta Humala causou mal-estar no Governo do Peru, que chamou seu embaixador em Caracas para consultas.

O Governo do presidente peruano, Alejandro Toledo, considerou ontem "uma ingerência nos assuntos internos" do Peru as declarações de Chávez que, em entrevista coletiva na terça-feira passada em Caracas, elogiou Humala e o chamou de "um Dom Quixote".

Ao dar as declarações, Chávez estava acompanhado pelo presidente eleito da Bolívia, Evo Morales. Humala apareceu entre o público junto com sua esposa, Nadine Heredia.

O apoio de Chávez causou reações na classe política peruana, que considerou o caso uma intromissão e a confirmação dos vínculos entre o líder do Partido Nacionalista Peruano e o Governo da Venezuela.

O governante venezuelano se referiu a uma sublevação, em outubro de 2000, protagonizada pelo então comandante do Exército Ollanta Humala junto com seu irmão Antauro, também major do Exército, contra o Governo do então presidente Alberto Fujimori.

"Ollanta contava-me como um grupo de soldados teve um gesto de rebeldia em um campo onde algumas empresas transnacionais tinham se apossado das riquezas daquele país irmão", disse Chávez.

O chefe de Estado enfatizou que o que o une ao candidato peruano é o nacionalismo, a recuperação dos recursos naturais, o resgate da soberania, o combate à ameaça da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) e a exigência de respeito para os povos de seus países.

Em resposta às declarações, a Chancelaria peruana decidiu chamar para consultas seu embaixador na Venezuela, Carlos Urrutia, por considerar que as palavras de Chávez estavam "vinculadas" à política interna peruana.

Além disso, disse que as atitudes de Chávez "não condizem com o direito internacional e com as normas e princípios do sistema interamericano que obrigam todos os Estados democráticos a não intervirem nos assuntos internos de outros países".

O Governo peruano reiterou ainda "seu firme compromisso" de realizar as eleições gerais do dia 9 de abril "de forma transparente e democrática, respeitando as normas internas que impedem a interferência de outros países".

As declarações de Chávez também foram rejeitadas pela candidata conservadora peruana Lourdes Flores, líder nas pesquisas de opinião para as eleições de 9 de abril.

O também conservador Jaime Salinas, candidato do partido Justiça Nacional, disse que Humala "revelou seu jogo para que fique claro para os peruanos que ele é um farsante".

O encontro entre Chávez, Morales e Humala foi considerado pelo influente jornal limenho La República como a reunião da "nova troika andina", enquanto o El Comercio considerou que está "confirmado o apadrinhamento de Hugo Chávez a Ollanta".

A grande escalada de Humala nas pesquisas nos dois últimos meses, nas quais chegou a ter uma média de 25% das preferências, é considerada pelos analistas políticos uma amostra da representatividade do candidato "anti-sistema".

A maior parte do apoio ao líder nacionalista, que se aliou com políticos de diferentes tendências para lançar sua candidatura, está nas regiões mais pobres do Peru.

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