| |  |  29/01/2006 - 20h27 Halonen vence eleições e fica mais 6 anos à frente da Finlândia Por Juanjo Galán Helsinque, 29 jan (EFE).- A atual presidente da Finlândia, a social-democrata Tarja Halonen, obteve hoje uma vitória apertada, com 51,8% dos votos, no segundo turno das eleições presidenciais, e com isso permanecerá mais seis anos à frente do país.
A vitória de Halonen sobre seu adversário, o conservador Sauli Niinisto, já era esperada, como indicavam todas as pesquisas prévias às eleições.
"Há seis anos me tornei a primeira mulher presidente da Finlândia, e hoje me transformei na primeira mulher a ser reeleita", declarou uma Halonen exultante em entrevista coletiva.
"Posso garantir que a segunda vez não foi mais fácil que a primeira", acrescentou.
O apoio dos líderes políticos de centro-direita a Niinisto não foi suficiente e o conservador acabou perdendo por apenas 113 mil votos de diferença (3,2%).
Segundo os analistas, parte dos eleitores destes partidos votaram em Halonen ou se abstiveram.
"Muitos dos eleitores de centro não atenderam aos pedidos de seus líderes e não votaram em Niinisto porque tinham interesses diferentes dos do candidato conservador", disse Halonen.
A presidente lamentou a aparição de rumores e falsas acusações como arma política, o que qualificou como uma "campanha negativa".
"Sei que é algo muito comum em outros países, mas eu nunca tinha experimentado isso e não gostei", afirmou.
Por sua vez, Niinisto aceitou a derrota com dignidade e felicitou à vencedora antes de se reunir com seus seguidores, aos quais agradeceu por todo seu apoio.
"Eu gostaria de agradecer a todos os que colaboraram para que esta tenha sido a melhor campanha eleitoral na história da Finlândia", disse.
"Os finlandeses refletiram em profundidade sobre o futuro do país antes de votar, por isso a verdadeira vencedora de hoje é a democracia", acrescentou Niinisto.
A presidente Halonen contou com o apoio dos social-democratas, da Aliança de Esquerda e da maior parte dos eleitores da Liga Verde, assim como das principais organizações trabalhistas.
Niinisto era o favorito da maior parte dos grupos de centro-direita, entre eles o Partido de Centro do primeiro-ministro Matti Vanhanen, os democratas-cristãos, os ultraconservadores e os liberais da minoria sueco-finlandesa.
O primeiro-ministro, que ficou fora da disputa presidencial ao ser superado por Niinisto no primeiro turno, também felicitou publicamente a vencedora.
"Quero agradecer a Halonen por ter sido uma candidata autêntica, participando de todos os debates apesar de suas obrigações como presidente", declarou Vanhanen.
A participação final dos eleitores foi de 77,2%, três pontos percentuais a menos que nas eleições presidenciais de 2000.
Halonen, que é advogada, fez história em 2000 ao ser a primeira mulher a chegar à Presidência da Finlândia, o segundo país do mundo que permitiu o voto feminino, em 1906.
Nascida em um bairro operário de Helsinque em 1943, se formou em direito e trabalhou como advogada na Federação de Sindicatos da Finlândia durante quatro anos, antes de iniciar sua carreira política.
Filiada ao Partido Social-Democrata desde 1971, Halonen ocupou sucessivamente os ministérios da Saúde, Justiça, Cooperação Nórdica e Exteriores entre 1987 e sua eleição como presidente em 2000.
Durante seus seis anos de mandato, Halonen conseguiu índices de aceitação nunca vistos na Finlândia por sua defesa do modelo nórdico de estado de bem-estar social, sua oposição a entrada da Finlândia na Otan, mantendo ainda uma proximidade incomum com os cidadãos.
Em política internacional, concentrou seus esforços na promoção dos princípios democráticos, no multilateralismo e no respeito aos direitos humanos.
Também se dedicou a abrir um debate internacional em torno da dimensão social da globalização, materializado no chamado "Processo de Helsinque".  |  | |