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21/02/2006 - 21h42
Morre arcebispo que protagonizou escândalo financeiro no Vaticano

Por Maribel Izcue Cidade do Vaticano, 21 fev (EFE).- O arcebispo Paul Marcinkus, falecido hoje aos 84 anos em Phoenix (EUA), foi o protagonista do maior escândalo financeiro registrado na história do Vaticano, desatado por culpa da quebra do banco Ambrosiano de Milão.

A queda de Ambrosiano ocorreu em agosto de 1982, quando o Governo italiano o declarou insolvente após descobrir um "rombo" de cerca de US$ 1,2 bilhão da época subtraídos para operações irregulares dos cofres daquela que era a maior entidade privada da Itália.

Apenas dois meses antes da declaração de quebra, na noite de 16 de junho foi encontrado enforcado sob uma ponte de Londres o então presidente do Ambrosiano, Roberto Calvi, em um aparente suicídio que até hoje, e 24 anos depois, permanece um mistério.

Naquela época, o arcebispo Marcinkus ocupava a Presidência do Instituto para as Obras da Religião (IOR, fundado pelo papa Pio XII), pelo qual o Vaticano possuía 16% do capital do Ambrosiano.

As investigações judiciais empreendidas por culpa da falência do banco milanês trouxeram à tona um complexo fluxo financeiro, que incluía pagamentos obscuros à subversiva loja maçônica P-2 e desvio de fundos para uso particular.

Após uma longa e complexa investigação, um juiz de Milão considerou que participaram da trama Marcinkus, que em 1987 foi acusado formalmente de quebra fraudulenta ao lado de dois administradores do IOR, Luigi Mennini e Pellegrino Strobel.

Os magistrados sustentavam que o IOR assegurou diversas operações financeiras por meio de uma série de "bancos fantasmas" com os quais Calvi operava e que reportavam excelentes rendimentos financeiros à entidade do Vaticano.

Os juízes de Milão ditaram uma ordem de busca e captura contra o arcebispo Marcinkus e seus dois colaboradores, mas estes se refugiaram no Vaticano, que lhes deu asilo para impedir a detenção.

Após investigar o caso, a Santa Sé assegurou que Marcinkus era inocente, desculpou os dirigentes do IOR de toda a responsabilidade e os protegeu com a imunidade diplomática ao alegar que o IOR era uma entidade da Igreja.

O caso chegou ao Tribunal Supremo da Itália, que em uma controvertida sentença anulou a ordem de busca e defendeu a impossibilidade de processar o arcebispo e os dois funcionários em virtude do Pacto Lateranense, que em seu artigo 11 prevê que "os entes centrais da Igreja Católica estão isentos de qualquer ingerência por parte do Estado italiano".

Apesar de sua postura, o Vaticano aportou voluntariamente em 1983 cerca de US$ 100 milhões para ressarcir os danos causados pela quebra do Banco Ambrosiano a seus clientes, em um gesto que a imprensa italiana interpretou como uma confissão implícita de responsabilidade na quebra do banco.

Em 1989 João Paulo II ordenou uma profunda reestruturação do IOR e um ano mais tarde Marcinkus foi substituído por Giovanni Bodio à frente da entidade que tinha presidido por 17 anos.

O Vaticano também colocou a administração de seu banco nas mãos de laicos com experiência financeira comprovada, e criou mecanismos de controle para impedir a repetição de casos semelhantes.

Marcinkus decidiu deixar o Vaticano após o escândalo e se trasladou a uma paróquia de Detroit (EUA).

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