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26/02/2006 - 17h00
Assassinato de jovem judeu mobiliza França contra racismo

Paris, 26 fev (EFE).- Milhares de pessoas se manifestaram hoje em toda a França contra o racismo e o anti-semitismo, em memória de Ilan Halimi, um judeu de 23 anos cujo seqüestro e brutal tortura comoveram profundamente a sociedade francesa. A maior manifestação foi em Paris, onde desfilaram 200.000 pessoas, segundo cálculos dos organizadores, ou 33.000, segundo os dados da Polícia.

Mesmo sem a presença da família da vítima, a manifestação parisiense foi um dos mais emotivos ao passar na frente da loja de telefonia celular em que a vítima trabalhava.

Ali, os manifestantes cantaram o hino nacional francês e representantes da comunidade judaica fizeram uma prece pela alma do jovem e um canto pela paz, enquanto outros acenderam velas.

Foi nessa loja onde Halimi foi abordado pela moça que atuou como isca ao seduzi-lo e levá-lo no final de janeiro para as mãos de seus seqüestradores, o "grupo dos bárbaros".

Em suas mãos e trancado no porão de um imóvel da localidade de Bagneux, na região parisiense, Halimi ficou lá três semanas, até que no último dia 13 de fevereiro foi descoberto muito fraco e machucado perto das vias do trem da estação da próxima Sainte-Genevieve-des-Bois.

Estava sem roupa, amordaçado e com as mãos atadas, com queimaduras em 80 % de seu corpo e com ferimentos de arma branca.

Morreu durante o trajeto ao hospital.

As duas juízas parisienses encarregadas de investigar as circunstâncias da morte de Ilan Halimi já implicaram 17 pessoas, das quais 14 foram presas e muitas delas foram acusadas pela circunstância agravante de crime cometido devido à religião da vítima.

Entre os presos estão os seqüestradores, incluído o porteiro do imóvel onde Halimi ficou, e membros de logística da banda, assim como três mulheres utilizadas como iscas nesta e outras tentativas de seqüestro e um suposto "braço direito" do grupo, que poderia estar por trás de vários casos de extorsão e ameaças.

O chefe do grupo, o franco-marfinense Yosuf Fofana, de 25 anos, que negou qualquer traço anti-semita neste caso, foi detido nesta semana na Costa do Marfim e está esperando sua extradição à França.

Seu nome foi gritado e xingado no final da manifestação de Paris por pessoas que queriam vingança e que tentaram agredir um rapaz muçulmano, algo que evitaram vários policiais à paisana infiltrados na manifestação.

Esse foi um dos poucos incidentes registrados na manifestação que era aberta por um cartaz que dizia "França contra o racismo e o anti-semitismo" e em que estavam destacadas personalidades políticas, religiosas e do mundo do espetáculo.

"Devemos ficar em pé para dizer que na França cada qual tem o direito de viver com dignidade, qualquer que seja seu Deus, sua religião ou a cor de sua pele", ressaltou o ministro de Assuntos Exteriores, Philippe Douste-Blazy.

A seu lado na manifestação, o titular do Ministério do Interior, Nicolas Sarkozy, ressaltou que os seqüestradores de Halimi "agiram todo ou em parte com a exalação do anti-semitismo", algo que o porta-voz do Governo conservador francês, Jean-Francois Copé, considerou que ainda são "suspeitas", por isso defendeu a busca "da verdade".

Pela oposição socialista destacou-se a presença, entre outros, do ex-primeiro-ministro Lionel Jospin, que foi à manifestação para "dizer não a todos os racismos".

A manifestação tinha sido convocada pelo Conselho representativo das instituições judaicas da França (Crif), a associação SOS-Racismo e a Liga contra o racismo e o anti-semitismo (Licra).

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