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02/03/2006 - 18h00
Hamas tenta romper seu isolamento com visita a Moscou

Por Ignacio Ortega Moscou, 2 mar (EFE).- Uma delegação do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) chega amanhã à Rússia para os primeiros diálogos com um integrante do Quarteto de Madri, em uma tentativa de romper seu isolamento e expor sua visão sobre o conflito com Israel.

"A visita tem por objetivo iniciar o diálogo. Sem pressões nem condições prévias", assegurou Khaled Mashaal, chefe da delegação e dirigente do escritório político do Hamas no exílio em Damasco, ao jornal russo "Vremia Novostei".

Mashaal, que será recebido pelo ministro russo de Relações Exteriores, Serguei Lavrov, disse existir uma nova realidade no Oriente Médio.

"O Hamas chegou ao poder na Palestina. Esta é a escolha do povo palestino e a comunidade internacional deve respeitá-la", disse Mashaal.

O chefe da diplomacia russa assegurou que em seu encontro com o Hamas serão discutidos os acordos adotados em 30 de janeiro pelo Quarteto de Madri (EUA, União Européia, ONU e Rússia).

O Kremlin prometeu transmitir ao Hamas um sinal claro sobre a necessidade de renunciar ao terrorismo, abandonar as armas e coexistir, com um Estado palestino independente e democrático, em paz e segurança com Israel.

Embora Mashaal não descarte um encontro com o presidente russo, Vladimir Putin, o chefe do Kremlin prometeu recentemente às autoridades israelenses que não receberia, em nenhuma hipótese, os dirigentes do Hamas.

"A vitória do Hamas é uma oportunidade. Chegou o momento de remover os obstáculos (à estabilidade) no Oriente Médio. Isso, claro, se o mundo quiser paz na região. Em caso contrário, os palestinos não renunciarão a seus direitos e terão de defendê-los", declarou Mashaal.

Ao contrário de outros membros do Quarteto, Moscou não considera que o Movimento de Resistência Islâmica seja uma organização terrorista, apesar do fato de, no credo político do Hamas, estar previsto o desaparecimento do Estado israelense, fundado em 1948.

O grupo islâmico palestino, autor de dezenas de atentados terroristas suicidas contra instalações israelenses, declarou trégua há mais de um ano.

Mashaal louvou a "coragem" da Rússia ao convidar o Hamas para Moscou, mas não deixou nenhum espaço para esperanças de entendimento ao tachar de "injusto" e "ilógico" exigir que "a vítima (os palestinos) reconheça o ocupante e assassino (Israel)".

"O Governo palestino anterior reconheceu Israel. E daí? Adiantou alguma coisa? Mudou alguma coisa? A ocupação terminou? Israel mudou sua postura?", questionou Mashaal.

O líder do Hamas considera um "erro" a postura dos que defendem que o Hamas reconheça Israel, "que pode matar, continuar sua ocupação e não reconhecer absolutamente nenhum dos direitos" palestinos.

"Por que a comunidade internacional não pede a Israel que termine com a ocupação? Por que a pressão só é feita sobre os palestinos?", disse o dirigente.

Mashaal quis enviar uma mensagem à comunidade internacional: "Queremos o retorno de Israel às fronteiras de 1967 e que reconheça os nossos direitos, incluindo o retorno dos refugiados e o direito a (assumir o controle sobre) Jerusalém".

"Só depois podem pedir dos palestinos posições similares. Não haverá nem paz nem segurança nas atuais condições de ocupação", acrescentou Mashaal.

A Rússia considera que os diálogos com o Hamas são imprescindíveis para "evitar a degradação do processo de paz" e preservar as perspectivas de avanço do "Mapa de Caminho", o plano de paz para o Oriente Médio desenhado pelo Quarteto.

Sobre os acordos assinados pela Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mashaal disse que "a situação no Oriente Médio obriga à revisão" dos atuais mecanismos de paz.

"Estes mecanismos de regra nos permitem ver a luz no fim do túnel e nos tirará do atual beco sem saída, ou devemos mudar os enfoques?", perguntou Mashaal.

O dirigente do Hamas também negou que, para receber financiamento do exterior, o grupo esteja disposto a "vender seus direitos legítimos".

"Esse apoio é parte de nosso direito como povo que sofre e vive sob ocupação. Mas essa é um ajuda humanitária, não se pode impor condições. Isso é inaceitável", advertiu o chefe da delegação palestina.

Nesse caso, segundo Mashaal acrescentou, "os palestinos podem dar um jeito com a ajuda dos árabes, dos muçulmanos e de nossos amigos", entre os quais mencionou explicitamente o Irã.

Putin convidou o Hamas no início de fevereiro em um "exercício de responsabilidade" a fim de expressar a necessidade de que renuncie à luta armada e reconheça o direito do Estado de Israel a existir.

O convite provocou reações extremadas nos Estados Unidos e em Israel, que considerou a iniciativa "uma punhalada pelas costas", enquanto a França apoio a iniciativa do chefe do Kremlin.

Por sua vez, o candidato do Hamas a primeiro-ministro da ANP, Ismail Haniyeh, prometeu a jornais russos que sua primeira visita oficial ao exterior será feita à Rússia.

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