UOL Últimas NotíciasUOL Últimas Notícias
UOL BUSCA


 

25/07/2006 - 11h19
Yasukuni, o santuário da discórdia, influi na política japonesa

Javier Villagarcía Tóquio, 25 jul (EFE).- O santuário xintoísta de Yasukuni continua gerando polêmica no cenário político do Japão, quase três décadas depois da inclusão de 14 criminosos de guerra japoneses no seu memorial.

No dia 15 de agosto, 61º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial, veteranos de guerra e nacionalistas ainda sedentos de revanche deverão comparecer ao local, assim como os pacifistas que rezam por um Japão sem ambições bélicas. No entanto, toda a atenção se voltará para os políticos, que serão avaliados por sua presença ou por sua ausência.

A revelação de que o imperador anterior, Hirohito, deixou de visitar o templo por não concordar com as homenagens aos condenados por crimes de guerra agitou o debate entre os candidatos à sucessão do primeiro-ministro, Junichiro Koizumi, em 20 de setembro.

A campanha está sendo acompanhada de perto pelos países vizinhos, especialmente China e Coréia do Sul. Chineses e coreanos não esquecem os excessos da política imperialista japonesa da primeira metade do século XX.

As duas ex-colônias do Japão reagiram com indignação a cada uma das visitas anuais realizadas por Koizumi desde que chegou ao poder, em 2001.

No entanto, os setores mais conservadores japoneses ignoram as críticas e incentivam as autoridades do país a rezarem em Yasukuni.

A postura é compartilhada pela maioria e muitos cedem às pressões.

Entre as exceções se encontra a família imperial.

Nem Hirohito, morto em 1989, nem seu herdeiro, Akihito, o atual imperador, foram ao santuário desde 1978, quando 14 criminosos de guerra condenados pelo Tribunal de Tóquio no fim da Segunda Guerra Mundial tiveram seus nomes incluídos na lista dos soldados reverenciados no templo.

Na semana passada, foi revelado o enigma sobre a opinião de Hirohito. O jornal "Nihon Keizai" publicou trechos das memórias de Tomohiko Tomita, um ajudante de câmara da casa imperial. Ele afirmou que o então imperador mostrava um forte desagrado pela inclusão de condenados por crimes de guerra no santuário.

Segundo as memórias, Hirohito criticou o então sacerdote e principal responsável por Yasukuni, Nagayoshi Matsudaira, que tomou a controvertida decisão de acolher os criminosos de guerra em 1978.

Seu pai, Yoshitami, trabalhava na Casa Imperial.

Apesar do depoimento, Koizumi mantém a polêmica.

"Trata-se de um assunto pessoal e o imperador tinha sua própria maneira de pensar", afirmou o primeiro-ministro na quinta-feira passada. Ele acrescentou que a notícia não teve nenhum impacto em sua opinião sobre o assunto.

O ministro porta-voz e grande favorito à sucessão de Koizumi, Shinzo Abe, seguiu a mesma linha ao dizer que continua apoiando as visitas ao templo para homenagear os que lutaram e morreram pelo Japão.

Em meio à revelação das palavras atribuídas a Hirohito, um grupo de membros do Partido Liberal-Democrata (PLD) contrariou a postura geral dos seus dirigentes e mostrou-se a favor da separação dos nomes do santuário e da construção de outro memorial para eles.

O ministro das Finanças e também candidato à Chefia de Governo, Sadakazu Tanigaki, afirmou ontem que Koizumi vai parar de visitar Yasukuni, com o objetivo de melhorar as tensas relações do Japão com a China e Coréia do Sul.

O santuário de Yasukuni é dedicado aos militares mortos em guerras japonesas e em seus registros figuram os nomes de quase 2,5 milhões de soldados.

ÍNDICE DE ÚLTIMAS NOTÍCIAS   IMPRIMIR   ENVIE POR E-MAIL

Folha Online
Reforma visual da Folha facilita a leitura; conheça as mudanças
UOL Esporte
Após fiasco de público, CBF reduz preços de ingressos para partida
UOL Economia
Bovespa reduz ritmo de perdas
perto do fim dos negócios

UOL Tecnologia
Fãs do iPhone promovem encontro no Brasil; veja mais
UOL Notícias
Chuvas deixam quatro mortos e afetam mais de 4 mil no Paraná
UOL Vestibular
Cotista tem nota parecida com de não-cotista aponta Unifesp
UOL Televisão
Nova novela da Record terá máfia e Gabriel Braga Nunes como protagonista
UOL Música
Radiohead entra em estúdio para trabalhar em disco novo
UOL Diversão & Arte
Escritor indiano Aravind Adiga ganha o Booker Prize
UOL Cinema
Novo filme dos irmãos
Coen tem maior bilheteria nos EUA