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09/08/2006 - 15h27
Milhões de indígenas da América Latina são marginalizados

Redação Central, 9 ago (EFE).- Os 50 milhões de indígenas que moram na América Latina representam 10% do total da população da região e vivem, em sua maioria, sob condições de marginalidade e discriminação.

Em todo o continente americano calcula-se que existam mais de 400 etnias aborígines. Destas, mais de 100 entre a América Central e a América do Sul.

Estima-se que no momento da colonização, a população indígena era de aproximadamente 70 milhões, número que alguns demógrafos e historiadores aumentam para até 100 milhões de pessoas. No entanto, com as guerras, doenças e trabalhos forçados, foram os índios dizimados e, em alguns lugares, até exterminados.

O México concentra o maior número de índios do centro-norte do continente, com 12,7 milhões de pessoas, seguido da Guatemala, com seis milhões (a metade da população), segundo o relatório anual "O Mundo Indígena" de 2005.

Os índios na América do Sul vivem principalmente na região do planalto. A Bolívia, com 37 povos indígenas, possui mais de cinco milhões, 60% de seus habitantes.

Em proporção à população total, a Bolívia é seguida pelo Equador, onde os índios representam 35% dos 12,5 milhões de cidadãos, e pelo Peru, com uma percentagem similar, o que significa cerca de oito milhões de indígenas.

O Brasil é o país que mantém uma maior diversidade indígena, mas um número proporcionalmente pequeno em relação a sua população total, de mais de 180 milhões de pessoas.

Entre as principais comunidades indígenas que habitam a América, estão a maia, a quíchua, a mapuche, a aimara e a guarani.

A civilização maia cobre um território de meio milhão de quilômetros quadrados que se estende por Belize, El Salvador, Guatemala, Honduras e vários estados mexicanos do sul.

No México, sua principal área de residência, vivem 12,7 milhões de indígenas, com um total de 62 idiomas, entre os quais se destacam o náhuatl, o zapoteco, o mixteco, o txeltal e o txotzil.

Os maias são herdeiros da que é considerada a civilização mais deslumbrante da América pré-colombina, mas atualmente é uma sociedade testemunhal.

A cultura quíchua é descendente da inca e habita principalmente a região andina (Equador, Peru e Bolívia).

Cerca de 15 milhões de pessoas em sete países (Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Chile, Equador e Peru) falam esta língua, das quais quase a metade vive em seis departamentos do Peru, país onde o quíchua é um dos três idiomas oficiais junto com o castelhano e o aimara.

Os quíchuas destacam a comunidade como forma de vida. Em matéria religiosa mantêm um sincretismo entre a tradição inca e o cristianismo.

Os aimaras compartilham território com os quíchuas, mas sua maior concentração fica na Bolívia, no Peru, no norte do Chile e na Argentina.

Na Bolívia, a população que fala o idioma dos aimaras supera um milhão e meio de pessoas, número muito parecido com o do Peru.

O "cholo" (mestiço) peruano Alejandro Toledo e o índio boliviano Evo Morales foram os primeiros membros das comunidades quíchua e aimara, respectivamente, a ocupar a chefia de um país.

Os aimaras respeitam e reivindicam como sinal de identidade a folha de coca, da mesma forma que os quíchuas apostam na coletividade e possuem um estrito código de honra que exige não roubar, não mentir, nem ficar ocioso.

Com seu vínculo com a terra, são preferencialmente agricultores e cultuam a natureza - sol e terra, sobretudo - e os ancestrais.

A cultura guarani, originária da Amazônia, predomina majoritariamente no Paraguai, onde 90% de seus 5,7 milhões de habitantes falam o idioma, co-oficial ao lado do espanhol. Além disso, têm presença em países como a Bolívia, com 62 mil pessoas, o Brasil, com 30 mil, e Argentina.

Segundo o estudo do Banco Mundial "Povos indígenas, pobreza e desenvolvimento humano na América Latina: 1994-2004", todos estes povos autóctones vivem uma realidade comum de marginalidade e pobreza, aspectos percebidos nos baixos indicadores de desenvolvimento em educação e saúde.

A luta pela defesa dos direitos indígenas foi uma bandeira nos Congressos Indigenistas Interamericanos, que começaram em 1940 em Pátzcuaro, México.

O interesse por estes povos levou a ONU a declarar o período entre 1994 e 2004 como a Década Internacional dos Povos Indígenas do Mundo, coincidindo com um momento de aumento da influência política indígena.

Neste sentido, e após onze anos de negociações, o Conselho de Direitos Humanos (CDH) da ONU aprovou a Declaração de Direitos dos Povos Indígenas em 29 de junho.

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