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24/09/2006 - 17h27
Protestos na Hungria levam à reflexão sobre futuro do país

Marcelo Nagy Budapeste, 24 set (EFE).- A maior onda de manifestações na Hungria desde a queda do comunismo, que culminou ontem à noite com a presença de dezenas de milhares de pessoas em ato em Budapeste, continua e desemboca em um processo de reflexão sobre o futuro político do país.

Cerca de mil pessoas se reuniram esta tarde em frente à sede do Parlamento húngaro, na praça Kossuth, em Budapeste, sem que incidentes fossem registrados.

Um grupo de dez personalidades pretende entregar à presidente do Parlamento, Katalin Szili, um memorando com uma série de reivindicações. Entre elas está a formação de um Governo de transição e a convocação de novas eleições, caso o primeiro-ministro social-democrata Ferenc Gyurcsány não deixe o cargo.

O vazamento de uma gravação na qual Gyurcsány admitia ter enganado o eleitorado "durante um ano e meio" - tempo em que esteve à frente do Governo- para ganhar as eleições parlamentares de abril foi o estopim dos protestos dos últimos dias nas ruas de Budapeste.

Combatentes da revolução de 1956, contra a ocupação soviética, criticaram os distúrbios da semana passada protagonizados por membros da extrema direita, inclusive integrantes de torcidas organizadas de equipes de futebol de Budapeste. Os veteranos qualificaram os atos de "desrespeitosos" à memória histórica, já que bandeiras e símbolos da luta pela liberdade contra o poder soviético foram usados.

Sábado foi o sétimo dia consecutivo de manifestações. Esta foi a terceira noite consecutiva em que não foram registrados distúrbios na cidade.

Segundo a agência de notícias húngara "MTI", 141 pessoas permanecem detidas por atos de vandalismo cometidos na semana passada.

Os resultados das manifestações até o momento são contraditórios, já que, segundo pesquisas, 43% dos húngaros consideram que o primeiro-ministro deveria deixar o cargo. Outra enquete, entretanto, diz que 57% dos entrevistados acreditam que Gyurcsány não é o primeiro político a mentir e, portanto, não é responsável pela crise.

Pál Schmitt, vice-presidente da maior força de oposição, o partido conservador Fidesz, participou dos protestos e disse aos manifestantes que a "Hungria vive uma crise moral".

Por sua vez, os social-democratas, governistas, acusam seu maior rival político de estar por trás das manifestações. Gyurcsány afirmou hoje que a presença dos dirigentes de centro-direita na praça Kossuth anima os radicais, o que "é uma verdadeira tragédia" para o país.

Os analistas políticos, por sua vez, também estão divididos. O comentarista András Girou-Szász disse que Gyurcsány "se encontra em uma crise moral", e, por isso, considera que o premier deveria assumir a responsabilidade e renunciar.

O analista político Krisztián Szabados disse que "o Fidesz e grupos de extrema direita" estavam por trás das manifestações. "Desde o momento em que se atirou a primeira pedra, o Fidesz está em uma situação delicada", disse.

Os manifestantes, que a princípio haviam se reunido espontaneamente, formaram na quarta-feira o Comitê Nacional Húngaro 2006 (MNT) que tenta controlar a violência com seu próprio "serviço de segurança".

O MNT anunciou hoje que construirá com televisores uma "pirâmide da mentira" diante do Parlamento. A pirâmide, feita de televisores, simboliza a censura aos meios de comunicação, e foi qualificada de "pós-moderna" pelos próprios organizadores.

O primeiro-ministro reiterou nos últimos dias que não renunciará e que levará adiante o programa de saneamento econômico que tem o objetivo de reduzir o déficit público para 3% até 2009. Neste ano, o déficit será de 10,1%, índice muito maior do que o exigido pelos critérios do tratado de Maastricht.

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